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Pesquisadores identificam Coffea liberica (‘beirão’) em quintais do Pará

Estudo no Alto Rio Guamá mapeou 57 cafeeiros em cinco municípios e confirmou a presença de Coffea liberica ('beirão') e Coffea arabica em quintais agroflorestais.
Ilustração sobre Pesquisadores identificam Coffea liberica ('beirão') em quintais do Pará

Café beirão Coffea liberica foi identificado em quintais agroflorestais do nordeste paraense no levantamento do projeto Café Ancestral Agroecológico no Nordeste Paraense, conduzido pela Embrapa Amazônia Oriental em parceria com a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e a Cooperativa D’Irituia.

O levantamento analisou 57 exemplares em oito propriedades distribuídas por cinco municípios do Alto Rio Guamá: Irituia, São Domingos do Capim, Ourém, Capitão Poço e São Miguel do Guamá. A equipe confirmou a presença de duas espécies: Coffea arabica, conhecida localmente como “pretinho” e “moca”, e Coffea liberica, chamada regionalmente de “beirão”.

Os pesquisadores registraram variações fenotípicas, como plantas de C. liberica com frutos vermelhos e amarelos, e observaram que a variedade “moca” de C. arabica tende a produzir um único grão arredondado por fruto. A identificação taxonômica foi conduzida pela pesquisadora Fernanda Ilkiu-Borges de Souza.

A pesquisa também documentou o papel das famílias locais na conservação dessas plantas: em várias propriedades, os cafeeiros foram preservados por gerações, com destaque para o trabalho das mulheres da família na manutenção de plantas e saberes tradicionais. Entre os produtores, Agílio Cordeiro Vieiras relatou conviver com o “beirão” desde a infância.

A produção local inclui sistemas agroflorestais. O produtor Avelino Brás de Oliveira mantém cerca de três mil cafeeiros consorciados com frutíferas e árvores nativas, e a Cooperativa D’Irituia já beneficia e torra grãos comercializados no Pará e em São Paulo. A cooperativa tem buscado profissionalizar a cadeia, com identidade visual em construção e início do processo de registro de marca no INPI; indicação geográfica e certificação orgânica são possibilidades apontadas pela equipe.

Pesquisadores envolvidos no projeto incluem Osvaldo Kato (Embrapa Amazônia Oriental) e o professor José Sebastião Romano de Oliveira (Ufra). A equipe observa que a identificação botânica não comprova, por si só, a origem histórica das plantas: embora o café tenha chegado à região em 1727, são necessárias investigações botânicas e históricas adicionais, além de estudos sobre sistemas produtivos mais eficientes para avaliar viabilidade e escala.

O trabalho combina identificações científicas com relatos locais e métodos participativos — como mapas falados e linhas do tempo — com o objetivo de dar visibilidade ao patrimônio agrícola e melhorar manejo, sem dissociar valorização comercial da conservação da biodiversidade e dos saberes que mantêm essas plantas.

Fonte: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

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