Triticale no Cerrado aparece como opção viável para a indústria alimentícia após uma série de análises de qualidade industrial e ensaios de campo conduzidos em 2026.
Resultados de testes industriais e aplicações
Ensaios de panificação e confeitaria realizados em parceria entre a empresa Vilma Alimentos (MG) e a Embrapa Trigo (RS) avaliaram a substituição da farinha de trigo pela farinha de triticale em 11 produtos. Segundo a avaliação técnica, foi possível empregar o triticale em seis desses produtos; em dois tipos de biscoitos moldados a substituição chegou a 100% sem perda relevante de atributos. Em wafers, bolos, pizzas e biscoitos de maisena a substituição foi parcial — nos biscoitos de maisena o limite testado foi até 30% — e na panificação a indicação foi de reunir 50% de trigo e 50% de triticale, limitado a pães de baixo crescimento.
Experimentos em campo e desempenho agronômico
Em Carandaí (Zona da Mata de Minas Gerais), foram conduzidos experimentos em oito hectares em 2026, um para cada cultivar disponível no mercado, entre elas BRS Piapara, BRS Saturno, BRS Surubim, BRS Tambaqui, BRS TL 51, BRS Zênite, IPR Aimoré e IPR Goitacá. A semeadura ocorreu em maio com colheita em setembro, sob irrigação.
Enquanto a produtividade média esperada em sistema irrigado no Cerrado é de 3 a 4 toneladas por hectare, algumas parcelas em Carandaí superaram cinco toneladas por hectare, segundo o engenheiro agrônomo Luiz Tarcísio Behm. Pesquisadores da Embrapa destacaram que o triticale pode ter boa tolerância à seca e raízes profundas, além de adaptação a solos ácidos e arenosos, embora nem todas as cultivares testadas sejam indicadas para produção de grãos na região.
O cultivo de triticale no Brasil tem histórico desde a década de 1980, com melhoramento conduzido pela Embrapa Trigo; a primeira cultivar nacional, BRS Minotauro, foi lançada em 2005. Atualmente, existem 24 cultivares de triticale cadastradas no Registro Nacional de Cultivares do MAPA.
O material genético testado no Cerrado também incluiu amostras trazidas do Rio Grande do Sul: em 2024 uma carga de 20 toneladas da cultivar BRS Saturno foi enviada do RS para avaliação no Cerrado Mineiro, o que ajudou a orientar os experimentos posteriores.
Apesar dos resultados positivos em laboratório e em parcelas experimentais, o cultivo de triticale no Cerrado ainda não consta nas estatísticas oficiais. As análises de 2026, porém, fornecem orientação técnica para a indústria de alimentos e para pesquisadores interessados na adaptação de novas cultivares à região.
Fonte: CompreRural