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Fazendas ‘fantasmas’ emergem como garantia e expõem R$ 256 bilhões em operações problemáticas

Investigações apontam uso de imóveis fictícios e cadastros adulterados como garantias de crédito rural. Operações policiais e problemas em cartórios e registros expõem inconsistências entre CAR, INCRA e matrículas.
Ilustração sobre Fazendas 'fantasmas' emergem como garantia e expõem R$ 256 bilhões em operações problemáticas

fazendas fantasmas estão sendo usadas como garantia em operações de crédito rural, segundo investigações e levantamentos citados pela reportagem. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) estimou, com dados de abril de 2026, que o setor acumula R$ 256 bilhões em operações atrasadas, inadimplentes, renegociadas ou prorrogadas.

Casos e operações identificadas

Autoridades identificaram esquemas em que imóveis inexistentes ou cadastros eletronicamente adulterados serviram de base para liberação de financiamento. Em 2025, a Operação Imperium Fictum da Polícia Federal investigou, no Pará, um grupo acusado de inventar fazendas com matrículas ligadas a uma gleba federal em Anapu; documentos da PF apontam que bancos chegaram a liberar mais de R$ 8,4 milhões com base nesses imóveis.

Em agosto de 2026, a Operação Canadá, da Polícia Civil de Mato Grosso, apurou que o desenho de uma fazenda no Cadastro Ambiental Rural (CAR) foi deslocado eletronicamente para outra região do estado. A investigação indicou que um cadastro falso sustentou avaliação de R$ 84 milhões usada como garantia em tentativas de crédito.

Reportagem de 2025 mostrou também um imóvel no Pará que recebeu R$ 4,6 milhões de crédito rural em 2021 e, em 2024, passou a aparecer no CAR no leito do Rio Araguaia; o CPF utilizado no cadastro não foi encontrado na Receita Federal e constava em 112 imóveis, segundo a publicação, e o governo do Pará cancelou os cadastros após apuração.

Problemas em registros e integração cadastral

Inspeções em cartórios e tribunais apontaram outras irregularidades. Em junho de 2026 a Justiça do Tocantins abriu processo disciplinar contra titulares de dois cartórios por suspeita de matrículas duplicadas e sobreposição total; os responsáveis negaram irregularidade. No oeste da Bahia, a Corregedoria do Tribunal de Justiça manteve bloqueios em matrículas suspeitas em Cocos, Carinhanha e Coribe, e a Vara Agrária de Santarém anulou o registro de três fazendas em Juruti que estavam sobre uma gleba estadual.

Além disso, a ligação entre os mapas do INCRA e as matrículas ainda é incompleta: segundo o painel público do Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR), com dados de 12 de outubro, apenas 709 mil (44,9%) dos 1,58 milhão de imóveis rurais com certificação do INCRA têm essa certificação averbada na matrícula. Pelo Provimento 195/2025 do CNJ, indícios de sobreposição entre matrículas não impedem, por si só, que um imóvel seja vendido ou dado em garantia.

Patrick Lüdtke, CPO da Axioma Intelligence, citado na reportagem, afirma que não é incomum encontrar matrículas que abranjam terras de terceiros em leilões de fazendas e que credores que liberam recursos apenas com base em documentos formais podem descobrir o problema apenas quando tentam executar a garantia, o que pode prolongar processos por décadas. Ele aponta Mato Grosso, Pará e áreas do Matopiba como regiões em que o problema aparece com mais frequência e defende maior diligência por parte dos credores.

Fonte: CompreRural

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