Carne bovina China: frigoríficos brasileiros já começaram a organizar produção voltada para a nova cota chinesa válida em 2027, segundo informou Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), durante a SIAL Paris.
Cronograma e preparação
De acordo com a Abiec, a antecipação busca ajustar contratos, abates e logística para que os embarques cheguem ao mercado chinês a partir de janeiro, quando passa a vigorar a cota destinada ao Brasil. A entidade informou que a maioria das empresas já está adaptando volumes considerando tempo de processamento e transporte marítimo.
Cota, estoques e regras de importação
A cota brasileira para 2027 foi ampliada para 1,128 milhão de toneladas, ante 1,106 milhão de toneladas em 2026 — limite que, segundo a reportagem, chegou a ser atingido no ano passado. A China mantém limites anuais por origem e aplica uma tarifa adicional de 55% sobre volumes que ultrapassarem as cotas, além da tarifa regular de 12%. A Abiec também recebeu informação de que os estoques chineses são equivalentes a mais de um ano de consumo, fator que pode reduzir o ritmo de compras.
A entidade estimou que, sem mecanismos para distribuir embarques ao longo do ano, a cota de 2027 poderia ser consumida entre março e abril. Por isso a Abiec discute com o governo federal alternativas para organizar o acesso dos frigoríficos ao volume disponível e evitar concentração excessiva dos embarques nos primeiros meses.
Dados recentes e projeções
Em setembro de 2026, o Brasil exportou 229,3 mil toneladas de carne bovina no total, queda de 35,1% em relação a setembro de 2025. As vendas ao mercado chinês recuaram para 12,9 mil toneladas, redução de 93,2% na comparação anual, segundo os números citados na matéria.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção de 11,84 milhões de toneladas de carne bovina em 2026 e recuo para 11,41 milhões de toneladas em 2027, em meio à menor disponibilidade de animais para abate e à recomposição dos rebanhos. Para exportações, a Conab prevê um avanço mais moderado em 2027.
A Abiec ressalta que antecipar a produção pode facilitar o planejamento logístico e comercial, mas não garante que todo o volume será vendido: o resultado dependerá também da demanda chinesa, do nível dos estoques e das negociações entre exportadores e importadores.
Fonte: CompreRural