bordão-de-velho é apontado por pesquisa da Embrapa e do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP (Cena/USP) como uma opção de árvore nativa que favorece a fertilidade e a diversidade de microrganismos quando integrado a pastagens na Amazônia.
Resultados e evidências
O experimento conduzido na Embrapa Rondônia começou em 2018 em uma área de 14 hectares de capim-marandu. A área foi dividida em duas parcelas: uma recebeu 156 mudas de bordão-de-velho (Samanea tubulosa) e a outra 172 mudas de eucalipto. Amostras de solo foram coletadas em 2022 e 2024, em diferentes profundidades.
Os pesquisadores observaram, na parcela com bordão-de-velho, menor acidez do solo e maior diversidade de bactérias e arqueias — grupos de microrganismos essenciais para processos como ciclagem de nutrientes. A influência da árvore sobre a comunidade microbiana foi detectada até cinco metros do tronco e em camadas mais profundas do solo; esse alcance não foi identificado no sistema com eucalipto.
Na área com a espécie nativa houve também maior proporção de microrganismos associados ao ciclo do nitrogênio e à decomposição de compostos aromáticos, característica que, segundo a pesquisa, pode indicar potencial para degradar determinadas moléculas tóxicas.
Carbono no solo e indicadores
Os estoques de carbono no solo ajustados segundo compactação foram registrados em 107 toneladas por hectare no sistema com eucalipto, 95 t/ha no sistema com bordão-de-velho e 78 t/ha na floresta nativa de referência. Apesar das diferenças numéricas, a análise estatística não apontou diferença significativa entre esses estoques. O bordão-de-velho apresentou o maior Índice de Manejo de Carbono, com valor de 91,13 (a floresta de referência recebeu 100).
Autores e publicação
O trabalho integra a pesquisa de doutorado de Henrique Nery Cipriani, pesquisador da Embrapa Florestas, orientada pela professora Tsai Siu Mui, do Cena/USP. Parte dos resultados (coletas de 2022) foi publicada na Revista Brasileira de Ciência do Solo; a tese de Cipriani analisou as amostras de 2024.
Implicações para produtores
Para o pecuarista, os resultados reforçam o potencial de árvores nativas em sistemas silvipastoris ao combinar sombra para os animais, oferta de vagens e atributos favoráveis ao solo, como maior matéria orgânica e diversidade microbiana. A pesquisa, no entanto, não quantifica efeitos diretos sobre ganho de peso animal, redução de adubação ou retorno econômico, e os autores apontam que os benefícios precisam ser confirmados em outros biomas antes de generalizações.
Fonte: CompreRural