Reter novilhas ou comprar fêmeas prenhes é o dilema que a reconstrução do rebanho bovino nos Estados Unidos tem colocado diante de muitos pecuaristas.
Decisão envolve preço, custo e horizonte de retorno
Pesquisa divulgada pela Drovers indica que 55% dos produtores americanos pretendem aumentar seus rebanhos nos próximos cinco anos, alta de oito pontos percentuais em relação ao levantamento anterior. Apesar da intenção de expansão, a retenção imediata de novilhas permanece limitada.
Em entrevista ao podcast I’m a Drover, o economista agrícola Josh Maples, professor associado da Universidade Estadual do Mississippi, afirmou que há diferença entre desejar ampliar o plantel e ter condições financeiras para isso. Muitos produtores, segundo ele, direcionaram lucros recentes à recuperação financeira das propriedades e a investimentos em infraestrutura, e não à expansão imediata dos rebanhos. A memória da forte queda de preços de 2014–2015 também aumenta a cautela.
Custos e riscos apontados
Maples apresentou valores observados em vendas no sudeste dos EUA: novilhas prenhes negociadas por cerca de US$ 4.000 a US$ 5.000 e bezerras de reposição por aproximadamente US$ 2.000 a US$ 2.200 ou mais. Desenvolver uma novilha até a reprodução costuma custar, segundo estimativas citadas, entre US$ 750 e US$ 1.000, com variações conforme a propriedade.
Além do custo financeiro, há risco reprodutivo — uma novilha pode não emprenhar e ser comercializada com desvalorização. Em termos de prazo, reter uma bezERRA pode exigir cerca de um ano e meio até o primeiro bezerro; comprar uma fêmea prenhe permite antecipar a produção, com possibilidade de obter um bezerro no ano seguinte.
Maples destacou que não existe solução única: propriedades com custos de produção baixos e boa disponibilidade de forragem podem ter vantagens em recriar novilhas, enquanto quando custo de alimentação é alto ou a necessidade é pequena, comprar fêmeas prenhes pode ser mais eficiente. A decisão deve considerar os custos reais do sistema e diferentes cenários de preços futuros — o economista observou que a rentabilidade depende também do que se espera receber pelos bezerros nos anos seguintes, citando 2031 como horizonte de avaliação para o investimento.
Aplicação ao Brasil e impactos setoriais
Embora a análise se baseie no mercado dos EUA, o texto ressalta que o dilema também se aplica a produtores brasileiros que trabalham com cria. No Brasil, a decisão precisa levar em conta valores de mercado, disponibilidade de pastagens, custos de recria, eficiência reprodutiva e necessidade de capital. A matéria não apresenta dados específicos para o mercado brasileiro.
Como inferência não confirmada pela fonte, caso a intenção de expansão nos EUA se concretize, pode haver aumento na movimentação de animais e maior demanda por transporte e implementos para transporte de bovinos. No entanto, essa consequência não é afirmada pela pesquisa e exige monitoramento de sinais concretos de aumento nas compras de matrizes ou nos volumes comercializados.
Fonte: BeefPoint