polinização do maracujá é condicionada à presença de polinizadores que façam contato efetivo entre anteras e estigmas; nem toda abelha que visita a flor garante fecundação.
Principais evidências
Pesquisas em pomares comerciais registraram diversidade de visitantes, mas nem todos são polinizadores eficientes. Em estudo no Triângulo Mineiro, 27 espécies de abelhas visitaram flores do maracujá-amarelo entre 2004 e 2007; 17 foram classificadas como polinizadoras, das quais 12 como efetivas e cinco como ocasionais. Nos experimentos comparativos, a taxa média de formação de frutos sob polinização natural foi de 23,3%, enquanto a polinização cruzada manual elevou esse índice a 69,8% naquele ensaio.
Quem mais contribui na prática
Abelhas do gênero Xylocopa (mamangavas) têm porte corporal e comportamento que favorecem o transporte de pólen: ao buscar néctar, entram em contato com as anteras e estigmas, depositando pólen entre flores compatíveis. No Vale do Submédio São Francisco (Juazeiro-BA) foram identificadas Xylocopa grisescens e Xylocopa frontalis como polinizadoras efetivas do maracujá-amarelo; Xylocopa cearensis também foi observada.
Por outro lado, Apis mellifera foi classificada no estudo de Juazeiro como pilhadora de pólen naquele sistema específico, retirando recursos sem, na mesma interação, cumprir o papel de transferir pólen com eficiência comparável às mamangavas. A irapuá Trigona spinipes apresentou efeitos variados em pesquisas anteriores, dependendo do tipo de visita e do tratamento das flores, evidenciando que seu impacto não é uniforme.
Consequências para a produção
Dados oficiais mostram que, em 2025, o Brasil colheu 864.518 toneladas de maracujá em 49.884 hectares, com valor da produção de aproximadamente R$ 2,916 bilhões; a Bahia foi o maior estado produtor, com 350.767 toneladas. A Embrapa considera a polinização um ponto crítico na produção comercial e cita a polinização manual como ferramenta quando faltam polinizadores eficientes. Experimentos no Vale do São Francisco chegaram a registrar até 74% de formação de frutos após polinização cruzada manual em condições específicas.
Fatores que influenciam a presença de polinizadores
A vegetação de entorno e recursos florais ao longo do ano, locais adequados para nidificação e manejo que preserve troncos e substratos são apontados como importantes para manter populações de mamangavas. Técnicas como instalação de ninhos-armadilha e conservação de vegetação nativa também foram citadas em estudos como estratégias para favorecer esses polinizadores.
Além disso, aplicações de inseticidas durante a floração podem reduzir a atividade dos polinizadores; publicações técnicas da Embrapa recomendam planejar tratamentos para reduzir exposição, respeitando bula, registro e horários de menor atividade das abelhas.
Para produtores, a indicação é avaliar não apenas a movimentação de insetos sobre as flores, mas o resultado das visitas — ou seja, o vingamento das flores — e considerar disponibilidade de pólen compatível, frequência de visitas de mamangavas e eventual necessidade de polinização manual. A interpretação deve levar em conta clima, genética das plantas, manejo fitossanitário e outras variáveis que também afetam a frutificação.
Fonte: CompreRural