robô humanoide na lavoura foi levado a condições reais de produção em uma propriedade comercial da província de Kagoshima, no Japão, entre junho e setembro de 2026. O experimento conjunto da empresa Orboh e do Toyota Auto Body Research Institute usou um Unitree G1 para testar detecção e manipulação de quiabos em campo.
O que o teste comprovou
Ao longo de cerca de 70 dias, o G1 foi equipado com uma câmera estéreo ZED-M no tórax e um modelo da família YOLO ajustado para reconhecer quiabos. Em ambiente interno reproduzido em laboratório, o robô conseguiu agarrar o fruto em 16 de 20 tentativas (80%). Em campo, a Orboh confirmou que o equipamento localizou frutos crescidos naturalmente, aproximou o braço e realizou agarramentos, mas não divulgou uma taxa de sucesso equivalente para operações externas.
Limitações identificadas
- O mecanismo projetado para prender e cortar o pedúnculo não ficou pronto dentro do período do projeto; nos ensaios externos foi usado um acessório improvisado semelhante a palitos.
- O controle de força mostrou-se um desafio: a pressão aplicada chegou a danificar quiabos durante testes, indicando a necessidade de ajustes finos na manipulação.
- Condições de campo — vento, variação de luz e folhas parcialmente cobrindo frutos — aumentaram a complexidade em relação ao ambiente controlado.
Segundo a Orboh, a demonstração validou a capacidade de detectar, alcançar e agarrar frutos em ambiente real, mas a retirada completa, o transporte até um recipiente e a repetição contínua com eficiência comercial ainda dependem de desenvolvimento adicional.
Por que usar um humanoide?
A opção por um humanoide como o Unitree G1 (aproximadamente 1,32 m de altura e 35 kg com bateria, conforme fabricante) busca aproveitar armazéns e plantações já organizadas para trabalho humano, sem redesenhar espaçamentos de linhas e alturas. Essa versatilidade potencial é contrastada pela eficiência esperada de máquinas agrícolas especializadas, que podem ser superiores em tarefas repetitivas.
O Toyota Auto Body Research Institute, com sede em Kirishima (Kagoshima) e cerca de 433 funcionários em abril de 2026, participou do projeto, somando expertise industrial ao desenvolvimento.
Contexto demográfico
A automação ganha relevância no Japão diante da redução e do envelhecimento da força de trabalho agrícola. Dados do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca indicam cerca de 1,036 milhão de trabalhadores agrícolas principais em 2025, com idade média de 67,7 anos e 69,6% com 65 anos ou mais; uma estimativa amostral apontou aproximadamente 987 mil trabalhadores em 2026.
O experimento em Kagoshima não demonstra, por si só, viabilidade comercial imediata de humanoides na colheita, mas indica progressos na percepção e aproximação de frutos em condições reais. A matéria preserva as ressalvas e resultados divulgados pelas equipes envolvidas.
Fonte: CompreRural