enfezamento do milho passou a receber atenção crescente nos Estados Unidos após surtos detectados a partir de 2024 em importantes regiões produtoras, especialmente Texas, Oklahoma e Kansas, e confirmações posteriores em 2026.
O avanço da doença motivou universidades, centros de pesquisa e órgãos governamentais a ampliar o monitoramento da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), principal vetor dos agentes responsáveis pelo complexo de enfezamentos. O problema já é conhecido no país desde 1945, com registro inicial no Vale do Rio Grande (Texas), mas a maior presença em novas áreas elevou a preocupação fitossanitária.
Perdas registradas e agentes envolvidos
Um levantamento da Crop Protection Network estimou perdas expressivas em 2024: 18,8 milhões de bushels no Texas, 4,5 milhões em Oklahoma e 800 mil no Kansas — volumes que somados representam cerca de 612 mil toneladas de milho. Em 2025, as perdas seguiram: 14,1 milhões de bushels no Texas e 6,9 milhões em Oklahoma.
O complexo de enfezamentos envolve principalmente o Spiroplasma kunkelii (enfezamento pálido) e um fitoplasma associado ao enfezamento vermelho; vírus transmitidos pela mesma cigarrinha também podem ocorrer simultaneamente. A transmissão em estádios iniciais da planta aumenta muito o potencial de dano, e não existe tratamento capaz de curar plantas já infectadas — as medidas visam reduzir novas transmissões e proteger plantas sadias.
Pesquisa e vigilância
- Em agosto de 2026 o USDA iniciou um projeto (com duração prevista até agosto de 2027) para estudar a epidemiologia do enfezamento no Texas, incluindo captura de vetores e análises moleculares.
- Em 2025, levantamento da Pioneer identificado a cigarrinha em 185 condados de 16 estados, mas apenas 3,8% dos insetos analisados testaram positivo para pelo menos um dos patógenos investigados, o que indica que presença do vetor não equivale automaticamente a epidemia.
- Pesquisadores brasileiros e americanos colaboraram em estudo publicado em 13 de outubro de 2026 que propõe reconhecer o fitoplasma associado ao enfezamento vermelho como Candidatus Phytoplasma zeae, com base em análises genômicas comparativas.
Contexto brasileiro
O Brasil já convive com impactos severos do enfezamento: pesquisa publicada em abril de 2026 na revista Crop Protection estimou que, entre 2020 e 2024, o complexo esteve associado a uma perda média de produção de 22,7% (aproximadamente 31,8 milhões de toneladas por ano) e prejuízos médios anuais equivalentes a cerca de US$ 6,5 bilhões, além de aumento de 19% nos custos com aplicação de inseticidas no período analisado.
Autoridades e centros de pesquisa ressaltam a importância do manejo integrado, que inclui eliminação do milho tiguera, escolha de híbridos com maior tolerância, sincronização regional do plantio, monitoramento da cigarrinha desde a emergência e uso criterioso de inseticidas e tratamento de sementes.
Para produtores e pesquisadores, o interesse crescente nos Estados Unidos representa tanto um alerta quanto uma oportunidade para ampliar diagnósticos, pesquisas de resistência genética e compreensão da movimentação do vetor entre paisagens agrícolas.
Fonte: CompreRural