Preço do glifosato subiu cerca de 14,2% na China entre 11 de setembro e 16 de outubro de 2026, segundo dados da plataforma financeira Choice divulgados pelo Shanghai Securities News. O preço passou de 25.400 yuans por tonelada para 29.000 yuans no período.
Apesar da alta recente, o valor ainda está abaixo do pico de aproximadamente 35.000 yuans registrado em abril de 2026. A valorização atual é atribuída principalmente ao aumento dos custos de matérias‑primas e à recuperação da demanda externa.
Custos de insumos e capacidade produtiva
Entre julho e outubro houve elevação no preço do fósforo amarelo, matéria‑prima importante na cadeia, de 26.700 para 28.750 yuans por tonelada. O metanol, outro insumo relevante, registrou valorização próxima de 54% entre agosto e outubro, passando de 2.580 para 3.970 yuans por tonelada. Esses movimentos pressionam margens das indústrias chinesas e reduzem espaço para descontos.
A China concentra grande parte da fabricação mundial de glifosato: estimativas setoriais de 2025 apontavam cerca de 69% da capacidade global, com capacidade instalada próxima de 810 mil toneladas anuais em um mercado mundial estimado em 1,18 milhão de toneladas.
Exposição do Brasil e possíveis efeitos na safra
O grau de concentração torna o Brasil mais sensível às oscilações da indústria chinesa. Dados referenciados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que, em 2023, o país importou aproximadamente 50,6 mil toneladas de glifosato técnico e 96,8 mil toneladas do produto formulado. Em 2023 a China respondeu por 98,5% das importações brasileiras de glifosato formulado, segundo informações da empresa Tecnomyl.
Em termos de consumo doméstico, o Ibama registrou que o glifosato e seus sais lideraram a comercialização de ingredientes ativos de defensivos no Brasil em 2024, com 231,9 mil toneladas.
A valorização internacional chega no momento em que o país amplia a produção agrícola: a Conab projeta colheita de 367,1 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27, com cerca de 49,3 milhões de hectares destinados à soja. O glifosato é utilizado em práticas como dessecação pré‑plantio e controle de plantas daninhas, de acordo com registros e recomendações de cada produto.
O repasse do aumento ao mercado brasileiro não é automático: estoques, contratos antecipados, câmbio e custos logísticos também influenciam a formação de preços. A fonte traz um exemplo ilustrativo: uma propriedade de 1.000 hectares que gaste R$ 70 por hectare com produtos à base de glifosato teria gasto de R$ 70 mil; um reajuste hipotético de 10% elevaria esse custo em R$ 7 mil. A matéria ressalta que o exemplo não representa previsão, apenas demonstra sensibilidade a variações.
Analistas da consultoria chinesa Zhuochuang Information trabalham com a possibilidade de preços entre 28.000 e 33.000 yuans por tonelada entre o último trimestre de 2026 e o primeiro trimestre de 2027. A evolução dependerá do comportamento das matérias‑primas, da demanda internacional e da capacidade produtiva chinesa. No Brasil, o câmbio também é apontado como fator determinante para os custos de importação.
Especialistas citados no levantamento recomendam atenção ao planejamento de compras, à comparação de propostas comerciais e à observância de concentrações e registros agronômicos, como medidas para mitigar possíveis impactos nos resultados da lavoura.
Fonte: CompreRural