Embrapa Meio Ambiente completou 44 anos de atividade em 21 de outubro de 2026 com um evento na sede da Unidade, em Jaguariúna (SP), voltado à diversidade alimentar e ao aproveitamento dos microrganismos na agricultura.
Debate sobre diversidade e microrganismos
A cerimônia reuniu pesquisadores, empregados, bolsistas e estagiários da unidade. Estiveram presentes o diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Clênio Pillon, além dos chefes-gerais Stanley Oliveira (Embrapa Agricultura Digital) e Marco Bonfim (Embrapa Maranhão). A chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Paula Packer, ressaltou o papel da unidade na conciliação entre produção agropecuária e conservação dos recursos naturais.
O evento teve como atração principal a palestra do professor Ricardo Abramovay (USP), que defendeu a diversificação dos sistemas alimentares brasileiros. Abramovay destacou os riscos econômicos e ambientais da concentração da produção em poucas culturas, como soja e cana-de-açúcar, e propôs uma transição gradual para sistemas que valorizem processos biológicos e reduzam a dependência de insumos sintéticos.
O pesquisador Itamar Melo, da Embrapa Meio Ambiente, apresentou o livro em organização Bioprospecção de Microrganismos para Uso na Agricultura. Segundo Melo, a obra reúne conhecimentos, metodologias e experiências para orientar pesquisas, desde a coleta de amostras em ambientes naturais até etapas de desenvolvimento e registro de produtos biológicos.
Foram destacadas pesquisas da Unidade em ambientes diversos — incluindo Caatinga, regiões marinhas e a Antártica — que identificaram microrganismos adaptados a condições extremas. Estudos citados no evento apontaram aplicações práticas, como microorganismos que aumentam a tolerância das plantas ao estresse hídrico e investigações relacionadas a substâncias com potencial herbicida. Entre resultados tecnológicos mencionados está o inoculante Auras, que contribui para a resistência das plantas a secas e veranicos.
A Embrapa Meio Ambiente também foi lembrada por ferramentas e contribuições para políticas públicas, como calculadoras de contabilidade de carbono e participação em programas como o RenovaBio e a plataforma ProCarbono. No encerramento, Clênio Pillon relacionou as pesquisas da Unidade aos desafios futuros da Embrapa, entre eles produzir mais com menor impacto ambiental e aumentar a adaptação às mudanças climáticas.
Histórica na interface entre agricultura e ambiente, a unidade foi criada em 21 de outubro de 1982 como Centro Nacional de Pesquisa de Defensivos Agrícolas e, após mudanças de foco e de nome ao longo dos anos, consolidou sua atuação atual como Embrapa Meio Ambiente.