bacteriose no trigo é apontada pela Embrapa como risco para a produção de sementes na Região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, neste ciclo marcado por chuvas persistentes e temperaturas amenas associadas ao fenômeno El Niño.
Pesquisadores da Embrapa Trigo registraram, nas últimas semanas, lesões foliares translúcidas e com aspecto de queima que podem ser causadas por Pseudomonas syringae pv. syringae. Segundo o pesquisador João Leodato Nunes Maciel, longos períodos de chuva, alta umidade e temperaturas entre 15 e 20ºC favorecem o aumento populacional dessa bactéria, que é habitante natural das folhas, mas também sobrevive em restos culturais, solo e sementes.
Mecanismo de transmissão e sintomas
A Embrapa informa que a bactéria pode ser transmitida por meio da semente para a planta jovem, com sinais visíveis já nas folhas primárias: lesões encharcadas que variam do verde-acinzentado ao marrom-claro. A presença de P. syringae em sementes, conforme a pesquisa, não tem sido associada à podridão ou morte das raízes.
Manejo e limitações
Não há produtos bactericidas registrados pelo MAPA para controle da bacteriose no trigo, e fungicidas não têm eficácia sobre bactérias. A Embrapa ressalta que, apesar disso, aplicações de fungicidas podem ser necessárias nesta fase para controlar doenças fúngicas e prevenir problemas de espiga. Testes laboratoriais podem confirmar a presença da bactéria em sementes, mas não existem tratamentos de semente oficialmente recomendados; avaliações como a termoterapia não apresentaram resultados técnicos suficientes para recomendação.
Como orientação divulgada pela instituição, a melhor forma de reduzir o risco é utilizar sementes produzidas em lavouras com baixa ocorrência da doença e, quando possível, optar por cultivares com resposta favorável à queima bacteriana — embora no Brasil haja pouca informação sobre a reação das variedades à doença.