oferta de madeira é resultado da combinação entre área plantada, idade dos talhões, produtividade, manejo, custos e demanda, afirmou José Mauro Moreira, pesquisador da Embrapa Florestas, durante a apresentação dos resultados da Expedição Silvicultura 2025, exibida em transmissão no dia 21 de outubro.
Tempo entre plantar e abastecer
Moreira ressaltou que o ciclo florestal impõe defasagens temporais: decisões de ampliar plantios em resposta a preços atrativos só se convertem em madeira disponível anos depois. Nesse intervalo, consumo, oferta concorrente e custos de produção e transporte podem mudar, limitando a capacidade de resposta imediata do setor.
Produtividade, usos e características da madeira
O pesquisador destacou que produtividade deve ser informada em termos de volume por área e tempo — por exemplo, volume por hectare por rotação — para permitir comparações e dimensionamento de plantios. Ele observou que diferentes mercados exigem propriedades distintas: serrarias valorizam diâmetro das toras; geração de energia depende do teor de umidade. Essas exigências orientam manejo e a área necessária para atender cada destino.
Idade dos plantios e gestão do estoque
Segundo Moreira, conhecer a distribuição da área por classes de idade é essencial para estimar a capacidade de abastecimento anual. Sem esses dados, análises podem supor uma distribuição regular de plantios ao longo do ciclo; na prática, concentrações de plantio em determinados períodos podem originar anos de excesso ou de escassez.
O pesquisador também explicou que decisões econômicas individuais mudam a oferta regional: antecipar a colheita para aproveitar preços altos aumenta a oferta presente, mas reduz volumes previstos para anos seguintes; postergar cortes diante de preços baixos tem o efeito oposto.
Custos de colheita e transporte
Moreira observou que a proximidade entre mata e indústria não garante a venda local: se outro mercado remunerar melhor, compensando transporte, o produtor pode redirecionar a madeira. Relevo, condições das estradas e custos de colheita influenciam o preço recebido pelo produtor e a decisão sobre o comprador.
O pesquisador defendeu que o levantamento de preços no ponto de consumo, combinado com custos para entregar a madeira, melhora a compreensão da formação de valor.
Riscos de expansão simultânea
Outra advertência foi para o risco de ampliação de plantios baseada apenas em preços observados no momento. Se muitos produtores plantarem ao mesmo tempo, as colheitas podem coincidir anos depois; se a demanda não acompanhar, os preços podem cair e tornar inviáveis empreendimentos com altos custos ou distância elevada dos consumidores.
Moreira afirmou que uma base de informações regionalizada — reunindo área por idade, rotação, produtividade e custos de produção e transporte — pode reduzir desequilíbrios, melhorar planejamento e dar maior previsibilidade para financiadores e produtores.
O relatório técnico completo da Expedição Silvicultura 2025 e a gravação da apresentação estão disponíveis publicamente; a transmissão foi feita pelo canal Mais Floresta no YouTube.