zoneamento tomate industrial entrou no Programa Nacional de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), segundo portaria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Portaria SPA/MAPA nº 378) publicada pela Embrapa.
O que muda na prática
O estudo que incluiu o tomate para processamento no Zarc estabelece janelas de plantio, faixas de risco e parâmetros técnicos para o cultivo irrigado destinado à indústria, e serve como referência para produtores, agentes financeiros e seguradoras. Produtores que seguirem as datas indicadas poderão acessar o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), o Programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR) e linhas de Crédito Rural.
Escopo e justificativa
A inclusão abrange especificamente o tomate industrial irrigado, segmento que tem sistema produtivo mais padronizado — irrigação mecanizada (como pivô central), cultivares híbridas de crescimento determinado e colheita mecanizada — e que representa cerca de 40% da produção nacional de tomate, com o restante (60%) voltado ao consumo in natura. Em 2025, a produção nacional para processamento foi de 1,88 milhão de toneladas.
Regiões e riscos considerados
A produção concentrada no Cerrado, especialmente no Centro-Oeste, foi tratada detalhadamente: Goiás responde por 65% da produção industrial, seguido por Minas Gerais (17%), São Paulo (16%) e Pernambuco (2%). O zoneamento apresenta faixas de risco de perda de produção (20%, 30% e 40%) por município, tipo de solo, ciclo da cultivar e decêndio, avaliando ainda dois grupos de ciclo: até 120 dias e a partir de 121 dias.
Parâmetros climáticos e agronômicos
- Temperatura ideal: médias entre 20 °C e 27 °C sem extremos nas fases sensíveis.
- Impactos: máximas acima de 35 °C na floração podem reduzir fecundidade do pólen; mínimas abaixo de 3 °C ou médias abaixo de 19 °C em períodos críticos também prejudicam a cultura.
- Chuvas: acumulados superiores a 240 mm nos primeiros 40 dias podem comprometer o estabelecimento; acumulados acima de 90 mm à época da maturação e colheita reduzem qualidade e rendimento industrial.
O estudo considerou manejo adequado como premissa e alinhou as recomendações ao vazio sanitário oficial aplicado em Goiás, maior área produtora do país.
O trabalho foi elaborado pela rede Embrapa com participação de instituições de pesquisa, ensino, extensão e representantes da agroindústria. O pesquisador Marcos Braga, da Embrapa Hortaliças, participou da elaboração técnica.
Os resultados do zoneamento estão disponíveis no Painel de Indicadores do Zarc, nas portarias estaduais e no aplicativo Zarc Plantio Certo (Android e iOS). Fonte: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária —