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USDA projeta queda na produção e nas exportações brasileiras de carne bovina em 2027

Relatório do USDA aponta recuo da produção brasileira de carne bovina para 11,95 milhões de toneladas em 2027 e redução das exportações para 4,10 milhões de toneladas.
Ilustração sobre USDA projeta queda na produção e nas exportações brasileiras de carne bovina em 2027

Produção de carne bovina deve recuar em 2027, projetam dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgados no relatório Livestock and Poultry: World Markets and Trade, publicado em 9 de outubro de 2026.

Projeções principais

O USDA estima que a produção brasileira de carne bovina atinja 11,95 milhões de toneladas em 2027, uma queda de cerca de 1,6% em relação às 12,15 milhões de toneladas projetadas para 2026 e ao pico de 12,60 milhões em 2025. A redução é atribuída principalmente à maior retenção de novilhas para reprodução, que limita a oferta de animais para abate.

O relatório indica ainda recuo do rebanho bovino brasileiro, de 177,42 milhões de cabeças no início de 2026 para 171,77 milhões no início de 2027. Em contrapartida, a produção de bezerros projetada aumenta de 48,25 milhões em 2026 para 50 milhões em 2027.

Exportações e mercados

As exportações brasileiras devem cair para cerca de 4,10 milhões de toneladas em 2027 (toneladas equivalentes de carcaça), após o recorde de 4,38 milhões em 2025 e estimativas de 4,15 milhões para 2026. Além da menor disponibilidade interna, o USDA aponta desafios comerciais entre os principais compradores.

Um dos pontos destacados é a cota de importação da China para 2026–2028: a participação brasileira prevista para 2027 é de aproximadamente 1,128 milhão de toneladas, abaixo da média anual de 1,667 milhão de toneladas registrada entre 2021 e 2025. Em embarques que excederem a cota, incidiria uma tarifa adicional de 55%. O documento também considera a perda de acesso ao mercado da União Europeia como fator que restringe volumes e preços recebidos.

O relatório observa ainda uma redistribuição regional: o Brasil tem aumentado vendas na América do Sul (Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai), mas o USDA projeta demanda relativamente estável nesses mercados para 2027, o que limita a capacidade de compensar reduções em destinos que pagam preços mais altos.

Cenário internacional

Em nível global, a produção mundial de carne bovina deve ficar próxima de 60 milhões de toneladas em 2027, praticamente estável frente às 60,22 milhões previstas para 2026. O USDA projeta variações entre países: crescimento na Argentina (aprox. 3% para 3,14 milhões t) e no Uruguai (cerca de 10% para 630 mil t) e queda na Austrália, União Europeia, Brasil e Estados Unidos. As exportações globais devem recuar cerca de 1%, de 13,97 milhões para 13,89 milhões de toneladas.

O documento também aponta aumentos nos embarques de Índia (carne de búfalo) e projeções de crescimento para México e Uruguai, enquanto Austrália e Estados Unidos registrariam queda nas vendas externas.

Potenciais reflexos no setor rodoviário (não confirmado pelo relatório): a menor oferta para abate e a redução prevista nas exportações podem alterar volumes transportados para frigoríficos e portos. Essas implicações setoriais são inferências e não constam como confirmação no relatório do USDA.

Fonte: BeefPoint

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