alta do diesel na Itália desencadeou, em meados de outubro, uma onda de protestos de caminhoneiros que bloqueou rodovias, portos e centros logísticos no sul do país e interrompeu a circulação de cargas essenciais.
Os bloqueios afetaram sobretudo as regiões da Campânia, Sicília, Calábria e Apúlia. Em cidades como Nápoles, Caserta e Salerno, supermercados registraram dificuldades para receber carnes, ovos, laticínios, frutas, verduras e produtos industrializados, segundo apurações feitas durante a paralisação. Postos de combustível também tiveram oferta reduzida e registraram filas.
Indústria e campo prejudicados
A paralisação obrigou fábricas tradicionais de massas a reduzir ou suspender a produção por falta de insumos como trigo e semolina; produtores relataram dificuldade de escoar mercadorias. A tradicional fabricante Rummo suspendeu atividades na Campânia por falta de ingredientes, enquanto a La Molisana diminuiu a produção e passou a usar estoques.
Na cadeia da mozzarella de búfala, o Consórcio de Proteção da Mozzarella di Bufala Campana DOP informou que cerca de 1 milhão de litros de leite de búfala produzidos em um único dia não puderam ser processados, estimando em aproximadamente 3 milhões de euros a atividade econômica comprometida nesse período de 24 horas. O leite destinado a esse queijo precisa ser transformado em até 60 horas após a ordenha, o que torna a logística crítica.
Medidas do governo e desmobilização parcial
Diante da gravidade, o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni negociou com representantes dos transportadores e anunciou medidas emergenciais. Em 22 de outubro foram aprovados 106 milhões de euros adicionais em créditos tributários para caminhoneiros, elevando para cerca de 540 milhões de euros o volume de compensações previstas. O pacote também incluiu 60 milhões de euros para agricultores e 10 milhões para a pesca.
As autoridades endureceram a repressão a bloqueios que impeçam a passagem de mercadorias essenciais, alertando para responsabilização criminal e organizando escoltas policiais para garantir o tráfego de caminhões com alimentos, medicamentos e outros insumos. Na madrugada de 23 de outubro importantes bloqueios foram removidos em trechos da Campânia e entregas começaram a ser retomadas, mas a recomposição dos estoques e a normalização das operações dos centros de distribuição seguem lentas. Representantes dos transportadores mantêm nova rodada de negociações prevista para 27 de outubro, conforme divulgado pelas partes.
Impacto logístico e comparação com o Brasil
O episódio evidenciou como a interrupção do transporte rodoviário pode deixar alimentos disponíveis no campo sem condições de chegar ao consumidor. A matéria original também citou dados brasileiros de contexto: a Conab estimou a safra de grãos 2026/27 em 367,1 milhões de toneladas; e a ANP registrou preço médio nacional do diesel S10 em R$ 7,34 por litro na semana de 11 a 17 de outubro, contra R$ 7,36 na semana anterior, ressaltando a relevância do combustível nos custos logísticos.
Fonte: CompreRural