Santa Catarina produtividade leiteira registrou média de 17,21 litros por vaca ao dia em 2025, segundo levantamento da Epagri/Cepa baseado na Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do IBGE.
O resultado estadual ficou cerca de 76% acima da média nacional, de 9,78 litros por vaca/dia, e reflete um aumento acumulado de produtividade de 58,2% na última década. Apesar da ampliação da produção por animal, o número de vacas ordenhadas caiu 3,3% em 2025, para 780,6 mil cabeças; mesmo assim, a produção total subiu 4,1% sobre 2024, alcançando 3,43 bilhões de litros — o maior volume da última década. A produtividade, em relação ao ano anterior, avançou 7,9%.
Eficiência produtiva e mercado
A economista da Epagri/Cepa, Andréa Castelo Branco, avaliou que o desempenho indica mudanças na estrutura produtiva, atribuídas a melhorias no manejo, na alimentação e na genética dos rebanhos. No entanto, ela ressalta que ganhos por animal precisam andar junto com controle de custos para manter a competitividade quando há recuo na remuneração pelo litro.
Em outubro de 2026, o preço pago ao produtor em Santa Catarina caiu 2,2% na comparação mensal, para R$ 2,66 por litro, mas ainda acumulava alta de 7,7% frente a outubro de 2025. No atacado catarinense, os preços informados foram: leite UHT R$ 4,53/l (−2,2%), mussarela R$ 32,71/kg (−2,2%), leite em pó R$ 27,63/kg (−0,4%), manteiga R$ 7,96/200 g (+1,4%) e queijo prato R$ 35,15/kg (+0,1%). No acumulado de 12 meses, queijo prato e mussarela subiram 15,1% e 10,5%, respectivamente, enquanto leite em pó e manteiga recuaram 11,3% e 10,7%.
No varejo da Grande Florianópolis, o leite UHT teve retração mensal de 3,2%, e o leite em pó registrou alta de 6,8%.
Comércio exterior
As exportações catarinenses de lácteos somaram 92,4 toneladas em setembro de 2026, incremento de 305,3% sobre agosto; entretanto, as importações no mês foram de 515,2 toneladas (−38%), resultando em déficit comercial de 422,8 toneladas. Na estrutura das compras externas, os queijos responderam por 64% do volume importado, seguidos por gorduras lácteas (18%) e leite em pó (12,4%). A Argentina foi a principal fornecedora, com 80,8% do volume importado, seguida por Uruguai (15,1%) e Estados Unidos (3,7%).
O boletim apresenta um quadro em que avanços de eficiência nas propriedades coexistem com pressão sobre preços e relações de custo, apontando desafios para a rentabilidade da cadeia leiteira estadual.
Fonte: CompreRural