ligação ao oviduto foi identificada como uma diferença funcional entre sêmenes de touros mais e menos férteis em estudo publicado na revista Theriogenology em 2026.
Pesquisadores vinculados à Esalq/USP compararam sêmen de seis touros Bos indicus — três classificados como de maior fertilidade e três como de menor fertilidade — e avaliaram motilidade, integridade de membranas e a capacidade dos espermatozoides de se ligarem a agregados de células epiteliais do oviduto após incubação de 12, 24 e 36 horas.
Resultados em laboratório
Os touros considerados mais férteis apresentaram maior quantidade de espermatozoides ligados ao epitélio do oviduto nos três tempos de incubação. Além disso, esse grupo teve desempenho superior em parâmetros cinéticos, como motilidade total, motilidade progressiva e velocidade em linha reta. A diferença observada não foi explicada apenas pela integridade da membrana nem pelos percentuais de defeitos morfológicos, que não diferiram de forma relevante entre os grupos.
Experimento de campo e limitações
Em uma segunda etapa, o estudo avaliou 1.133 vacas Nelore submetidas a protocolo de inseminação artificial em tempo fixo (IATF). Foram testadas combinações envolvendo touros de maior e menor fertilidade, aplicação de GnRH em momentos diferentes e o uso de uma ou duas doses de sêmen dos reprodutores de menor fertilidade.
As diferenças laboratoriais não se refletiram em variação significativa na taxa de prenhez por inseminação entre os grupos. Dobrar a quantidade de sêmen dos touros classificados como de menor fertilidade também não trouxe benefício geral. Os autores apontam que a sincronização (GnRH 16 horas antes da IATF ou no momento da IATF) pode ter reduzido a vantagem de espermatozoides com maior capacidade de permanecer viáveis por mais tempo.
Outra observação relevante do campo foi o impacto da condição corporal das vacas: entre as fêmeas que receberam GnRH 16 horas antes da IATF, animais com escore de condição corporal ≥3,0 alcançaram 62,2% de prenhez, contra 51,2% nas vacas abaixo desse patamar. Em inseminações com sêmen dos touros de menor fertilidade, a prenhez foi de 60,6% nas vacas com melhor condição corporal e 50,5% nas demais.
Os pesquisadores definem o teste de ligação ao oviduto como um marcador funcional promissor, mas ainda dependente de aperfeiçoamento e validação antes de ser usado isoladamente para prever desempenho reprodutivo em campo.
Fonte: CompreRural