Separar gado em lotes é uma prática que visa reunir animais com necessidades e objetivos de manejo semelhantes, integrando dados de peso individual, categoria, condição corporal e histórico alimentar.
Por que a média do lote pode enganar
Uma média de peso não revela a distribuição entre os animais. Dois lotes com média de 300 kg podem ter composição muito distinta: um com dez animais de 300 kg e outro com cinco de 220 kg e cinco de 380 kg — ambos pesam 3.000 kg, mas o segundo tem amplitude de 160 kg entre indivíduos. A distribuição de pesos e a evolução individual entre pesagens orientam decisões sobre alimentação, acompanhamento sanitário e previsão de saída.
Critérios para formar lotes
- Peso vivo: diferenças de tamanho e estágio de crescimento.
- Sexo e condição sexual: machos inteiros, castrados e fêmeas demandam separações quando necessário.
- Categoria e idade: bezerros, garrotes e animais em terminação.
- Condição corporal: reservas corporais e grau de acabamento.
- Histórico alimentar: dieta anterior e adaptação ao sistema.
- Saúde: necessidade de avaliação, tratamento ou acompanhamento específico.
- Objetivo de produção: recria, terminação ou preparação para venda.
Identificando animais que ficam para trás
O acompanhamento do ganho de peso ao longo do tempo é essencial. O ganho médio diário (GMD) pode ser calculado por GMD = (peso final − peso inicial) ÷ número de dias. Em uma simulação de 60 dias, um animal que parte de 220 kg e chega a 268 kg teve ganho de 48 kg (GMD ≈ 0,80 kg/dia), enquanto outro que vai de 300 kg a 318 kg ganhou 18 kg (GMD ≈ 0,30 kg/dia). Embora o primeiro permaneça mais leve, sua performance está melhor no período; já o segundo exige investigação.
Avalie condições de pesagem e acesso a recursos
Pesagens devem ocorrer em condições comparáveis, registrando manejo e horário, pois enchimento do trato e hidratação influenciam leituras. Separar por peso não resolve problemas de acesso ao cocho e à água: observe animais frequentemente afastados do cocho, disputas nos pontos de alimentação, dificuldade de acesso por lama ou obstáculos, distribuição irregular de suplementos e falhas no abastecimento.
Quando separar e como avaliar resultados
A apartação vale quando a diferença entre grupos pode ser atendida por manejo específico — por exemplo, categorias com exigências distintas ou animais em fases diferentes de terminação. Evite reagrupar continuamente, pois novas misturas exigem reestabelecimento das relações sociais e podem aumentar interações. Não existe um limite universal em quilos para apartar; a decisão depende de animais, dieta, infraestrutura e objetivo da propriedade.
Após a separação, avalie ganhos de peso e sua distribuição, condição corporal, acesso ao cocho e à água, ocorrência de doenças e tratamentos, consumo e desperdício quando mensuráveis, tempo para atingir a próxima fase e custos adicionais de alimentação, mão de obra e instalações. A separação bem-sucedida é a que transforma informação em decisão útil.
Fonte: CompreRural