cavalo lavradeiro de Roraima está no centro de uma proposta de classificação ambiental que preocupa criadores e pesquisadores. A discussão, tratada na Comissão Nacional de Equideocultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em 23 de outubro de 2026, envolve uma proposta em análise na Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio).
O que está em debate
A proposta avalia incluir populações de equinos com origem histórica fora de sua distribuição natural entre as espécies exóticas invasoras. O lavradeiro, embora descendente de equinos introduzidos na colonização, formou ao longo de mais de 200 anos uma população adaptada às savanas de Roraima, com características como pequeno porte (cerca de 280 kg), cascos resistentes e elevada rusticidade.
Posições de instituições
A CNA questionou os critérios da proposta e ressaltou a necessidade de considerar a importância histórica, econômica e genética desses animais. Em audiência pública na Câmara dos Deputados, em maio de 2026, a Embrapa defendeu que a classificação se apoie em evidências científicas e leve em conta impactos socioeconômicos.
Na reunião de 23 de outubro de 2026, a CNA citou uma estimativa de densidade de aproximadamente um cavalo para cada 400 hectares em áreas específicas para argumentar contra impactos ambientais relevantes. Especialistas lembram, porém, que densidade isolada não descarta efeitos sobre vegetação, solo e fauna nativa.
Situação atual e próximos passos
Não há, até o momento, determinação nacional que imponha retirada, proibição de criação ou abate dos animais em função da proposta. A Resolução Conabio nº 16, de maio de 2026, aponta que a inclusão em categorias previstas não impede por si só aproveitamento econômico ou criação. Em setembro de 2026, os trabalhos do grupo responsável pela discussão foram prorrogados por seis meses, e o processo de avaliação permanece em andamento.
Embrapa e CNA defendem ampliar estudos populacionais, fortalecer programas de conservação genética e estabelecer critérios ambientais específicos para diferenciar populações historicamente utilizadas na agropecuária de organismos que efetivamente provoquem desequilíbrios ambientais.
Fonte: CompreRural