IA na gestão rural passou a ser aplicada em projetos piloto por produtores paranaenses que participaram das viagens técnicas promovidas pelo Sistema FAEP aos Estados Unidos ao longo de 2026.
As delegações visitaram propriedades, universidades, centros de inovação e empresas na Califórnia, Nebraska, Iowa, Illinois e Missouri. Após o retorno, participantes mantêm contato com fornecedores, testam plataformas e adaptam soluções para demandas locais, segundo informações do Sistema FAEP.
Aplicações em estudo
Em Santa Cruz de Monte Castelo, a produtora de mandioca Kátia Garrido avaliou uma plataforma de gestão agrícola apresentada nos EUA. Ela está usando a versão sem custo da ferramenta Agro AI e estuda se o plano pago (US$ 299 mensais, conforme relato) compensa pela possibilidade de integrar custos operacionais e acompanhar a rentabilidade da cultura, além de gerar registros por voz ou a partir de fotografias de documentos para reduzir o tempo de organização financeira.
No setor de armazenagem, o presidente do Sindicato Rural de Ortigueira, Marcos Eidam, levou o código-fonte de um sistema de gestão de silo para uma ferramenta de desenvolvimento baseada em IA apresentada nas visitas. Segundo o relato, a nova versão do programa, acessível pela internet e com melhorias, começou a operar em menos de 24 horas após interações com a ferramenta — o trabalho segue em desenvolvimento antes de ser concluído.
Monitoramento e registros por voz
Na suinocultura, a produtora e presidente da Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP, Deborah Gerda de Geus, busca entender se imagens de satélite podem dimensionar danos provocados por javalis nas lavouras. Ela encaminhou coordenadas de áreas afetadas para análise por um representante da Planet Labs; a empresa considera possível observar a devastação, mas ainda não identifica com certeza a causa apenas pelas imagens, e o estudo continua.
Alexandre Martins, chefe da Assessoria de Inovação do Senar Nacional, avalia uma solução que transforma relatos por voz em registros organizados. A proposta é substituir anotações dispersas por registros em linguagem natural, o que pode facilitar a gestão de operações e apoiar o trabalho de assistência técnica e gerencial — avaliação que, por enquanto, é individual e não representa incorporação formal aos serviços do Senar.
Os projetos estão em diferentes estágios de testes e adaptação. Produtores relatam expectativa de ganhos em organização, agilidade na gestão e otimização do tempo, especialmente em períodos de coincidência de tarefas na lavoura. As iniciativas foram viabilizadas pelo contato direto com empresas e centros visitados durante as viagens técnicas do Sistema FAEP em 2026.
Fonte: CompreRural