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Embrapa e Sabesp transformam lodo de ETA em fertilizante de liberação lenta

Embrapa e Sabesp desenvolveram processo hidrotérmico que transforma lodo de estações de tratamento de água em grânulos fertilizantes com liberação lenta de nitrogênio e potássio; próximos passos incluem testes-piloto industriais e validação de campo.
Ilustração sobre Embrapa e Sabesp transformam lodo de ETA em fertilizante de liberação lenta

fertilizante de liberação lenta desenvolvido pela Embrapa em parceria com a Sabesp converte lodo de estações de tratamento de água (ETAs) em grânulos agrícolas ao neutralizar o alumínio tóxico e incorporar nitrogênio e potássio.

O que foi desenvolvido

Pesquisadores da Embrapa Instrumentação, com participação da Embrapa Pecuária Sudeste e Embrapa Meio Ambiente, criaram uma rota hidrotérmica que reorganiza o lodo de ETA em concentrados zeolíticos, formando cristais do tipo sodalita. O processo, realizado em autoclave sob temperatura e pressão controladas, retém o alumínio na estrutura mineral e gera uma matriz usada para fabricar grânulos de liberação lenta de N e K, com amido plastificado e ureia.

Resultados de laboratório e casa de vegetação

Testes em casa de vegetação na Embrapa Pecuária Sudeste com azevém (Lolium multiflorum) e capim-piatã (Urochloa brizantha) mostraram aumento da eficiência agronômica: os tratamentos com sodalita granulada apresentaram eficiência duas a três vezes superior ao controle no azevém, com tendência semelhante na braquiária.

Além disso, a formulação funcionou como veículo para a bactéria Bacillus megaterium, mantendo viabilidade do microrganismo por quase cinco meses. Em contrapartida, o grânulo não se mostrou adequado para incorporação do fungo Trichoderma asperelloides nos testes realizados.

Testes com lodo in natura e limites de aplicação

Estudos conduzidos pela Embrapa Meio Ambiente avaliaram a incorporação do lodo de ETA diretamente em um latossolo tropical, com doses variando de 0% a 100% (p/p). Em experimentos em casa de vegetação, o feijão apresentou redução de biomassa em doses superiores a 25%, enquanto o milho tolerou concentrações de até 50%. Com base nesses resultados, os pesquisadores indicaram que, para produção de alimentos, doses de até 5% (p/p) podem ser adequadas; para construção de tecnossolos e restauração de áreas degradadas, até 15% (p/p) mostraram-se aceitáveis nas condições avaliadas.

Contexto operacional e próximos passos

A Sabesp gera cerca de 124 mil toneladas de lodo desidratado por ano nas 208 ETAs que opera no estado de São Paulo, com custo médio de transporte e destinação estimado em aproximadamente R$ 300 por tonelada e, nas maiores unidades, até 16 viagens diárias para remoção do resíduo. A companhia vê na pesquisa uma alternativa para reduzir a destinação a aterros e os custos associados.

O projeto, que teve duração de quatro anos e envolveu investimento superior a R$ 2,7 milhões com apoio do PITE/FAPESP, agora busca parceiros industriais para estruturar testes em escala-piloto, avaliar produção em maior escala, realizar validação agronômica em campo e procedimentos para eventual registro junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

Fonte: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

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