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Fundo abre arbitragem contra incorporação da BRF pela Marfrig

Fundo acionou arbitragem de R$60 milhões contra a incorporação da BRF pela Marfrig, questionando assembleias, a relação de troca e possível conflito de interesses.
Ilustração sobre Fundo abre arbitragem contra incorporação da BRF pela Marfrig

arbitragem Marfrig BRF foi formalizada pela MBRF em 22 de outubro de 2026, segundo comunicado divulgado pela companhia. O termo de arbitragem trata de uma disputa societária decorrente da incorporação da BRF pela Marfrig, concluída em setembro de 2025.

De acordo com a nota, o procedimento arbitral foi instaurado por um único reclamante — representado pelos fundos Nova Almeida e Latache IV, sob gestão da Latache Gestão de Recursos (Latache Capital) — e tem valor total referido em R$ 60 milhões para fins de cálculo das taxas de administração da Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM).

Os fundos, que eram acionistas da BRF e passaram a deter ações da Marfrig após a operação, estimam o pedido principal em aproximadamente R$ 10 milhões. A MBRF e a BRF apresentaram pedido contraposto avaliado em R$ 50 milhões.

O reclamante questiona a aprovação da operação em assembleias gerais extraordinárias realizadas em 5 de agosto de 2025 e o fechamento da incorporação em 22 de setembro de 2025. Entre as alegações estão suposto conflito de interesses na condução do processo, falta de independência dos comitês especiais e dos assessores financeiros, além de contestação à relação de troca fixada em 0,8521 ação da Marfrig para cada ação da BRF, que, segundo o fundo, teria sido desfavorável aos acionistas minoritários.

O requerente pede a anulação das deliberações das assembleias que aprovaram a operação, a anulação dos atos relacionados à sua conclusão e a reparação dos prejuízos alegados — cujo montante deverá ser apurado em etapa posterior — além do reembolso das despesas do procedimento arbitral e dos honorários.

Posição das companhias e andamento do processo

MBRF e BRF defendem a regularidade da operação e afirmam que os acionistas reclamantes abusaram de direitos ao recorrer à arbitragem. As empresas solicitam que os pedidos sejam julgados improcedentes, pleiteiam indenização por danos materiais e morais a ser apurada no processo e requerem que os reclamantes arquem integralmente com os custos da arbitragem.

Segundo o comunicado, o termo de arbitragem foi disponibilizado pela CAM em 13 de outubro de 2026 e o tribunal arbitral já emitiu a Ordem Processual nº 1, que estabeleceu o calendário do procedimento. Não há acordo entre as partes até o momento. A MBRF afirmou que manterá acionistas e o mercado informados sobre desdobramentos.

A reportagem registra que a CNN Brasil procurou o fundo administrado pela Latache Capital, que optou por não se manifestar; o espaço permanece aberto para posicionamento.

Possível impacto setorial (observação)

Como observação, a disputa judicial e arbitral pode gerar incerteza legal sobre a integração entre as companhias, o que, em tese, pode afetar prazos para harmonização operacional e decisões comerciais relacionadas à cadeia de suprimentos. Essa possibilidade não foi confirmada pelas partes e deve ser monitorada.

Fonte: BeefPoint

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