Crédito rural em queda: desembolsos e contratos registraram recuo em dois estados produtores, elevando a busca por alternativas de financiamento.
Quedas expressivas em São Paulo e Mato Grosso do Sul
Levantamento da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), divulgado pela CNA em 14 de outubro de 2026, mostra que os desembolsos de crédito rural em São Paulo somaram R$ 5,8 bilhões entre julho e setembro de 2026, queda de 41,9% ante o mesmo período da safra anterior. O número de contratos caiu de 14.551 para 9.086 operações (‑37,6%).
Os recursos para investimento foram os mais afetados: houve retração de 47,4%, de R$ 1,17 bilhão para R$ 617,8 milhões. Custeio agrícola recuou 35,6% e os desembolsos pelo Pronamp diminuíram 42,1%. Em agosto de 2026, 19,4% da carteira ativa de crédito rural paulista estava classificada como problemática (operações renegociadas, prorrogadas, inadimplentes ou em atraso).
No Mato Grosso do Sul, levantamento da Associação dos Produtores de Soja do estado (Aprosoja/MS) aponta que o crédito contratado na safra 2025/26 somou R$ 14,9 bilhões, queda de 20,2%. No início da safra 2026/27, entre julho e setembro, as contratações alcançaram R$ 3,1 bilhões, redução de 29% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
Custos e taxas pressionam produtores
A Aprosoja/MS estimou o custo de produção de soja por hectare na safra 2026/27 em R$ 5.024,82; a necessidade total de capital para a área projetada no estado foi calculada em cerca de R$ 24,5 bilhões. A taxa média ponderada dos financiamentos de custeio contratados em Mato Grosso do Sul na safra 2025/26 foi de 12,1% ao ano, acima da média nacional de 10,5%.
Com menos recursos disponíveis e custos elevados, produtores enfrentam pressão sobre o fluxo de caixa para compra de insumos e manutenção de safra.
Alternativas privadas e consultorias
Em resposta ao cenário mais seletivo do crédito tradicional, consultorias financeiras especializadas no agronegócio passaram a estruturar operações com diferentes fontes de financiamento. A ConsulttAgro, mencionada na fonte, atua na montagem de operações conforme o perfil do produtor e informa já ter intermediado mais de R$ 700 milhões em crédito rural. A consultoria trabalha com possibilidades de taxas a partir de 3% ao ano e prazos de até 15 anos, dependendo da modalidade, garantias e análise da operação; a condição de 3% não é universal e varia conforme cada projeto.
O texto original também traz um exemplo didático sobre o impacto de taxas em operações de maior valor: sobre R$ 1 milhão, uma taxa anual de 12% equivaleria a R$ 120 mil de juros em um ano, enquanto 3% corresponderia a R$ 30 mil, diferença de R$ 90 mil — ilustração que ressalta a importância da estruturação das operações.
O recuo dos desembolsos para investimento evidencia risco de adiamento de projetos de modernização e aquisição de máquinas, o que pode reduzir a capacidade de investimento das propriedades no curto prazo, conforme os dados apresentados.
Fonte: CompreRural