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ICMBio e UNINTA iniciam estudo sobre cerca de 600 jumentos em Jericoacoara e avaliam castração

ICMBio e UNINTA lançaram um estudo de cinco anos sobre ao menos 600 jumentos no Parque Nacional de Jericoacoara para avaliar impactos ambientais, condição sanitária e medidas de manejo, incluindo a castração de machos como possibilidade condicionada aos resultados.
Ilustração sobre ICMBio e UNINTA iniciam estudo sobre cerca de 600 jumentos em Jericoacoara e avaliam castração

Jumentos em Jericoacoara estão no centro de uma pesquisa conjunta do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Centro Universitário Inta (UNINTA) que vai monitorar a população, a saúde e as possíveis interações desses animais com o ambiente do Parque Nacional de Jericoacoara (CE).

Segundo a iniciativa, ao menos 600 jumentos vivem livremente dentro da unidade de conservação. O trabalho terá duração de cinco anos e busca esclarecer se a presença dos asininos provoca impactos sobre a vegetação, a fauna nativa e outros elementos da biodiversidade, além de avaliar riscos sanitários para outras espécies e para pessoas.

Avaliação sanitária e manejo

O estudo inclui inspeções de saúde, vacinação e coletas de sangue e tecidos para exames laboratoriais. Entre as enfermidades que serão investigadas estão:

  • raiva;
  • leishmaniose;
  • influenza;
  • doenças transmitidas por carrapatos;
  • febre do Nilo Ocidental.

Os pesquisadores afirmam que essas investigações não significam que as doenças foram identificadas nos animais, mas têm o objetivo de verificar a situação sanitária e possíveis riscos de transmissão. Quando necessário, tratamentos seguirão recomendações da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri), com possibilidade de encaminhamento hospitalar em Sobral.

Origem da população e debate sobre castração

Pesquisadores relatam que a população de jumentos se formou a partir de abandono por antigos proprietários e que os animais, sem responsáveis, circulam pela Vila de Jericoacoara, onde têm contato com lixo e animais domésticos. O ICMBio considera a castração de machos uma ferramenta possível para evitar crescimento populacional descontrolado e reduzir conflitos com atividades humanas e riscos de atropelamentos nas vias que cortam a unidade.

Por outro lado, especialistas em recursos genéticos alertam para a necessidade de cautela ao aplicar intervenções reprodutivas, ressaltando que decisões devem ser fruto do diálogo entre instituições e pesquisadores e da análise dos dados obtidos pelo monitoramento.

Equipe do UNINTA e técnicos do ICMBio já receberam treinamento para realizar castrações em campo, mas a esterilização permanece como uma possibilidade condicionada à avaliação dos resultados da pesquisa. O acompanhamento deverá orientar se e em que extensão medidas de manejo populacional serão adotadas.

Fonte: CompreRural

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