preço da arroba chega à abertura da semana com referências entre R$ 380 e R$ 385 e negócios pontuais a R$ 390 em São Paulo, sustentado por oferta restrita de animais terminados e escalas de abate curtas.
Consultorias que acompanham o mercado apontam que a restrição de oferta mantém os compradores com programações de abate concentradas entre cinco e seis dias úteis em várias regiões. A Agrifatto registrou dificuldades para obter boiadas com entrega imediata, enquanto a Safras & Mercado e a Scot Consultoria também observaram escalas curtas que sustentam propostas de compra em patamares elevados.
Referências e variações regionais
O levantamento da Safras & Mercado de 15 de outubro, na modalidade a prazo, traz as seguintes referências estaduais: São Paulo (capital) R$ 385,00 (+1,32%), Goiás (Goiânia) R$ 365,00 (+1,39%), Minas Gerais (Uberaba) R$ 370,00 (+1,37%), Mato Grosso do Sul (Dourados) R$ 370,00 (estável), Mato Grosso (Cuiabá) R$ 350,00 (+1,45%) e Rondônia (Vilhena) R$ 365,00 (+1,96%). Esses valores são referências anteriores à abertura da segunda-feira e podem variar conforme prazo, padrão dos animais, bonificações e localização.
Atacado, futuro e consumo
No atacado, a Safras & Mercado apontou valorização: o quarto traseiro chegou a R$ 29,50 por quilo (alta de 3,51%) e o quarto dianteiro a R$ 22,00 por quilo (alta de 2,33%) em relação ao fechamento semanal anterior. Na B3, o contrato de novembro de 2026 encerrou o pregão de 15 de outubro a R$ 396,60 por arroba (+0,46%), referência do mercado futuro naquele pregão.
Demanda chinesa e exportações
Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, avalia que frigoríficos podem ampliar produção e programar embarques em novembro e dezembro com objetivo de utilizar cotas chinesas em 2027. Iglesias trabalha com a hipótese de até 400 mil toneladas embarcadas à China entre novembro e dezembro caso não haja mecanismos internos de gestão desses envios, mas ressalta que trata-se de uma projeção condicional às decisões comerciais e às regras aplicáveis.
Os dados reproduzidos pelo levantamento mostram que, nos sete primeiros dias úteis de outubro, as exportações apontavam aproximadamente 61,3 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária 39,9% inferior à de outubro de 2025.
Para o pecuarista, a combinação entre oferta enxuta e necessidade de reposição coloca o produtor em posição relativamente favorável para negociar, mas a intensidade de novas valorizações dependerá da disputa efetiva por animais entre frigoríficos, da capacidade de repasse da carne e da movimentação dos compradores chineses.
Fonte: CompreRural