Agroecologia na Embrapa é o tema central de um artigo científico publicado em 16 de outubro de 2026 na edição especial de 20 anos da Revista Brasileira de Agroecologia.
Intitulada A trajetória não linear da Agroecologia na Embrapa, a pesquisa recupera acontecimentos desde a década de 1970 até 2026 e descreve uma evolução marcada por avanços alternados com períodos de redução de atividades e desarticulação de redes de pesquisa. O estudo ocupa as páginas 1117 a 1146 do volume 21, número 5; foi recebido pela revista em maio, aprovado em agosto e publicado em 16 de outubro de 2026.
Autoria, marcos e unidades envolvidas
O artigo foi elaborado por seis pesquisadores que integram ou integraram a Embrapa e trabalharam em diferentes centros de pesquisa. Entre os marcos identificados pelos autores está a publicação, em 2006, do Marco Referencial em Agroecologia da Embrapa, documento coletivo que contribuiu para incorporar a temática na instituição e estimular a formação de equipes e redes.
Os autores apontam ainda que a trajetória da agroecologia na empresa ocorreu de forma distinta entre unidades. Centros citados no levantamento incluem Embrapa Hortaliças, Embrapa Clima Temperado, Embrapa Agrobiologia, Embrapa Tabuleiros Costeiros, Embrapa Pantanal, Embrapa Amazônia Oriental, Embrapa Agropecuária Oeste e Embrapa Meio Ambiente.
Redes, acúmulo técnico e desafios
Segundo o estudo, a permanência da agroecologia na agenda de pesquisa foi sustentada por profissionais especializados e pela formação de redes de cooperação que aproximaram o conhecimento científico do saber de agricultores, comunidades tradicionais e organizações locais. Para a agricultura familiar, os autores destacam o papel da agroecologia na construção de sistemas mais resilientes e na segurança alimentar.
Apesar do acúmulo de conhecimento, os pesquisadores concluem que a continuidade e a renovação desse capital técnico enfrentam obstáculos: iniciativas estruturadas no passado sofreram descontinuidades e houve dificuldade para manter e renovar equipes. O artigo sinaliza, contudo, reforços recentes em equipes e articulação de pesquisadores em torno da agenda, e defende a reconstrução e ampliação das redes de cooperação dentro e fora da Embrapa como condição para enfrentar desafios atuais como mudanças climáticas e segurança alimentar.
Uma imagem que acompanha a publicação mostra uma mandala de produtos agroecológicos organizada por famílias camponesas em Sergipe, ilustrando a interface entre pesquisa e práticas nos territórios.