Arroba do boi gordo encerrou a semana em nível recorde em São Paulo: o indicador Cepea/Esalq registrou R$ 380,70 por arroba na sexta-feira (16/10/2026), o maior valor nominal da série histórica iniciada em 1994.
Motivos e dinâmica do mercado
Pesquisadores do Cepea associaram a valorização — que acumula alta de 10,4% desde o início de setembro em São Paulo e 4,50% apenas no mês de outubro — à oferta de animais prontos para abate inferior à demanda. Entre os fatores citados estão a retenção de animais por parte de produtores, motivada pelo receio em relação à cota chinesa para 2026 (fixada em 1,106 milhão de toneladas), o aumento do custo de reposição e o recorde nas exportações de gado vivo, que reduziram a oferta no mercado doméstico.
Apesar de uma redução nas compras chinesas nas últimas semanas, o Cepea observou aumento da procura por outros mercados, como os Estados Unidos, mantendo o volume total de exportações robusto em comparação ao período anterior à forte participação chinesa.
Levantamentos regionais e preços práticos
A Scot Consultoria destacou que o mercado esteve firme na sexta-feira e que, após as recentes altas, a oferta melhorou em algumas praças, permitindo às indústrias negociar com maior facilidade e recompor escalas de abate. Das 33 regiões acompanhadas pela consultoria, 25 registraram estabilidade diária; foram apontadas altas em localidades como norte de Minas Gerais, Dourados (MS), oeste da Bahia, sudoeste do Mato Grosso, Cuiabá (MT), Santa Catarina, Paragominas (PA) e Espírito Santo.
Em referências de mercado no interior paulista, Araçatuba e Barretos seguiram cotando o boi gordo a R$ 380 por arroba para pagamento em 30 dias. As cotações do chamado “boi China” e da vaca permaneceram estáveis; a novilha teve alta de R$ 2, passando para R$ 370 a arroba.
Considerando a inflação pelo IGP-DI, o Cepea observou que a cotação atual se aproxima do patamar registrado em 11/11/2020 (R$ 292 nominal naquele dia), cujo valor deflacionado equivaleria a cerca de R$ 385 hoje.
Fonte: BeefPoint