Bacteriófagos contra Salmonella têm reduzido a presença da bactéria em alimentos como leite, carne suína, peito de frango e alface, segundo estudos divulgados em 2025 e 2026.
Resultados e características dos fagos testados
Em experimentos com o bacteriófago identificado como PS3-1, pesquisadores observaram estabilidade em faixa de pH entre 3 e 11 e tolerância a temperaturas de 4 °C a 60 °C. O período de latência foi de cerca de 15 minutos e o rendimento por célula infectada ficou em aproximadamente 92 novas partículas virais. Dependendo das condições experimentais, a população de Salmonella caiu entre 0,30 e 4,72 log após 24 horas.
Além da ação sobre populações livres de bactéria, o PS3-1 conseguiu reduzir biofilmes já estabelecidos de Salmonella, um aspecto relevante para frigoríficos, laticínios e unidades de processamento, onde biofilmes dificultam a remoção completa de microrganismos.
Outros fagos e abordagens
Estudos publicados em 2026 identificaram o bacteriófago vB_Sal_P260 com atividade contra Salmonella Senftenberg e outros sorovares, inclusive isolados resistentes a antibióticos, com efeito em leite e alface. Outra pesquisa avaliou o fago PH215 e registrou atividade contra 58 de 77 cepas testadas, pertencentes a sete sorotipos diferentes. A literatura recente destaca também o uso de coquetéis de fagos como estratégia para reduzir a chance de surgimento de resistência bacteriana, combinando vírus que reconhecem diferentes receptores na superfície bactéria.
Regulação e papel na indústria
Segundo as pesquisas, a tecnologia já ultrapassou fase puramente experimental em alguns pontos: nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA) analisou preparações contendo fagos específicos contra Salmonella para uso como agentes antimicrobianos em aplicações alimentícias determinadas. No Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) mantém programas de controle e monitoramento de Salmonella em estabelecimentos sob inspeção federal.
Os estudos reforçam que bacteriófagos devem ser considerados uma barreira adicional dentro do conceito de múltiplas barreiras da segurança alimentar. Eles não substituem práticas tradicionais: higiene, controle de temperatura, tratamento de leite, sanitização e o cozimento adequado continuam fundamentais.
Se resultados laboratoriais forem reproduzidos em escala industrial, os pesquisadores indicam três frentes de aplicação: reduzir a carga de Salmonella diretamente sobre alimentos, combater ou prevenir biofilmes em ambientes industriais e integrar-se a programas de controle microbiológico.
Fonte: CompreRural