beterraba forrageira foi associada a uma concentração de ácidos graxos ômega-3 superior ao dobro da detectada em novilhos terminados com dieta à base de milho em confinamento, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) da Argentina em 13 de outubro de 2026.
Principais achados do estudo
O trabalho, realizado por unidades do INTA na Norpatagônia em colaboração com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITA), avaliou composição de gordura, cor, maciez, retenção de água e perdas por cocção. Entre os resultados verificados, a carne dos animais terminados com beterraba apresentou:
- Concentração de ômega-3 superior a mais que o dobro em relação ao grupo alimentado com milho em confinamento;
- Uma relação ômega-6/ômega-3 mais favorável, abaixo de 3, enquanto o grupo com milho registrou relação acima de 5;
- Quantidade total de gordura semelhante entre os tratamentos, com percentual ligeiramente menor no grupo com beterraba;
- Indicadores lipídicos apontando menor potencial trombogênico e tendência de redução do índice aterogênico;
- Coloração da carne mais escura e classificada como muito vermelha no grupo com beterraba, e tendência a leve maior firmeza, mas dentro dos limites aceitáveis ao consumidor; a cor da gordura de cobertura foi similar nos dois grupos.
Contexto produtivo e operacional
Os pesquisadores destacaram o potencial produtivo da beterraba forrageira nos vales irrigados das províncias de Río Negro e Neuquén, onde a disponibilidade de forragem cai no outono e inverno. A cultura permite consumo direto na lavoura, boa aceitação pelos bovinos e pode reduzir a necessidade de confinar animais ou transportá-los para outras regiões, o que, segundo o estudo, pode gerar custos de terminação inferiores aos de dietas à base de milho nas condições avaliadas.
Limitações e próximos passos
Os autores ressaltam que os resultados são preliminares. A comparação envolveu dois sistemas distintos — beterraba em pastejo direto versus dieta com milho em confinamento —, portanto não permite atribuir exclusivamente à beterraba todas as diferenças observadas no perfil da carne. Os pesquisadores apontam a necessidade de estudos adicionais para confirmar as observações e avaliar agronomicamente, economicamente e zootecnicamente a aplicação da beterraba forrageira em outras regiões, inclusive no Brasil.
Fonte: BeefPoint