boi gordo R$ 380: O Indicador Cepea/Esalq para o boi gordo alcançou R$ 380 por arroba na quinta-feira (15/10/2026), registrando o maior valor nominal desde o início da série histórica em 1994. Segundo o levantamento, a cotação acumula valorização de 10,4% desde o começo de setembro.
Pesam na elevação de preços a oferta restrita de animais prontos para abate, que fica abaixo da necessidade de compra das indústrias. Esse cenário aumenta a disputa pelos lotes disponíveis e limita o espaço para pressão de baixa nas cotações.
Entre os fatores que reduziram a disponibilidade estão decisões prévias de produtores — parte adiou o envio de animais a confinamentos diante do receio de enfraquecimento da demanda externa —, custos de reposição mais altos e as exportações de gado vivo, apontadas no levantamento como componente de redução da oferta doméstica.
A demanda externa segue como variável relevante: a China continua importante para a pecuária brasileira, mas mercados como os Estados Unidos ampliaram a procura pela carne bovina, o que contribuiu para sustentar os embarques em meio à desaceleração chinesa. Na prática, a combinação entre demanda internacional e oferta ajustada mantém a necessidade de aquisição de matéria‑prima pelos frigoríficos.
O mercado interno também contribui para a sustentação das cotações. O levantamento cita maior consumo de proteínas pelas famílias e a aproximação das festas de fim de ano como fatores que podem elevar a procura por carnes. Entretanto, a continuidade da alta depende da capacidade das indústrias de repassar o custo da matéria‑prima, do ritmo dos embarques e da entrada de novos lotes para abate.
O valor de R$ 380 refere‑se ao indicador paulista e não implica que todos os produtores estejam recebendo esse preço: negociações variam conforme região, padrão dos animais, prazos e condições comerciais. Além disso, o recorde é nominal, sem ajuste pela inflação, e a rentabilidade do produtor depende da diferença entre o preço de venda do animal terminado e os custos de reposição, alimentação e permanência na propriedade.
Fonte: CompreRural