Calor em cavalos exige atenção redobrada porque, quando temperatura, umidade e esforço físico se combinam, o animal pode evoluir de queda de desempenho a quadro grave de estresse térmico.
Pesquisas realizadas pela Embrapa em ambientes tropicais mostram que mesmo equinos adaptados ao calor apresentam alterações fisiológicas e maior dificuldade para dissipar calor nas horas mais quentes. Orientações da University of Minnesota indicam que um cavalo trabalhando intensamente em ambiente quente pode perder cerca de 2 a 4 galões de suor por hora (aproximadamente 7,5 a 15 litros), envolvendo perda de água e eletrólitos.
Entre as medidas destacadas estão manter água limpa e fresca disponível livremente, oferecer sombra efetiva e ventilação adequada, e ajustar horários e intensidade do trabalho — priorizando início da manhã ou final da tarde nas rotinas de treinamento, lida ou transporte. O banho com água fresca e a combinação de circulação de ar e deslocamento para áreas sombreadas são ferramentas eficientes de resfriamento após esforço.
Transporte, eletrólitos e sinais de alerta
O transporte merece atenção especial: veículos parados sob sol intenso, pouca circulação de ar ou radiação direta sobre a carroceria podem aumentar rapidamente a carga térmica no interior do compartimento. Viagens em horários mais amenos, ventilação adequada e oferta regular de água são recomendadas na cobertura dos relatos técnicos.
Reposição de eletrólitos pode ser necessária quando as perdas são elevadas, em atividades prolongadas ou competições, mas deve ser feita conforme necessidade individual e preferencialmente sob orientação veterinária ou nutricional. É importante manter água pura disponível, pois alguns animais reduzem o consumo quando o sabor da água é alterado.
Devem ser observados sinais de estresse térmico: respiração muito acelerada, frequência cardíaca elevada, sudorese excessiva ou ausente, apatia, redução do apetite, sinais de desidratação, temperatura corporal elevada, dificuldade de coordenação e demora excessiva na recuperação pós-exercício. Um cavalo aquecido que deixa de suar adequadamente é motivo de urgência veterinária.
Grupos com maior risco incluem animais idosos, obesos, potros, desmontados do condicionamento ou recém-chegados de climas frios, além de equinos que não suam normalmente ou têm pelagem muito longa. Estudos brasileiros com cavalos Pantaneiros e em regiões da Amazônia Oriental reforçam que a combinação de calor e umidade eleva parâmetros como temperatura retal e frequência respiratória durante a tarde.
Fonte: CompreRural