chuvas e semeadura recuperaram a umidade do solo e impulsionaram o avanço do plantio de cultivos de verão em parte do Centro-Oeste, enquanto o excesso de chuvas afetou lavouras de inverno no Sul, segundo o Boletim de Monitoramento Agrícola da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgado em 23 de outubro de 2026.
Resumo do boletim e período monitorado
O documento da Conab analisa as condições agrometeorológicas e o desenvolvimento das lavouras entre 1º e 21 de outubro de 2026. A publicação reúne dados de satélite e análises produzidas em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Grupo de Monitoramento Global da Agricultura (Glam).
Soja e cultivos de verão
No Centro-Oeste, a umidade recuperada favoreceu o prosseguimento da semeadura. Em Mato Grosso, a Conab registra que a semeadura da soja já supera 60% da área prevista. No Paraná, o plantio tem avançado e a maior parte das áreas implantadas apresenta bom desenvolvimento. Em Goiás, o ritmo é desigual: o sudoeste está próximo de concluir o plantio ainda em outubro, enquanto outras áreas enfrentam perda rápida de umidade após o revolvimento do solo. Em Mato Grosso do Sul, a elevada umidade levou à suspensão temporária da semeadura em grande parte das regiões produtoras; apenas o norte e nordeste do estado registraram continuidade em função de chuvas mais esparsas.
Trigo, arroz e efeitos do excesso de umidade
No trigo, o excesso de chuvas comprometeu a qualidade dos grãos em São Paulo e no Paraná. A colheita no Paraná alcança 75% da área plantada, mas o peso hectolítrico do produto no estado está abaixo do esperado. No Rio Grande do Sul, o ritmo de colheita do trigo é mais lento devido ao volume de chuvas e à menor radiação solar; muitas lavouras seguem em enchimento e maturação, fases sensíveis à ocorrência de doenças nas espigas. Em Santa Catarina, a sequência de períodos chuvosos eleva a preocupação com doenças fúngicas nas áreas mais precoces.
Na cultura do arroz, a semeadura atingiu cerca de 40% da área prevista no Rio Grande do Sul e superou a metade em Santa Catarina. Grandes volumes de chuva e excesso de umidade aumentam o custo das operações de campo e prejudicam o desenvolvimento inicial das lavouras recém-implantadas.
Outros cultivos e impactos regionais
Na primeira safra do milho, o Paraná aproxima-se do fim da semeadura e apresenta lavouras em desenvolvimento vegetativo, com impactos pontuais de granizo e vendavais em algumas áreas. Em Goiás e Minas Gerais o avanço varia entre regiões, enquanto o Rio Grande do Sul já supera 80% da área prevista para o milho primeira safra. O boletim também registra riscos aumentados de pragas e doenças em localidades afetadas pelo excesso de umidade.
O relatório completo, com mapas, gráficos e análises detalhadas sobre o comportamento climático e o desenvolvimento das lavouras, está disponível no portal da Conab.