Cotações da soja seguem pressionadas pela expectativa de uma produção global recorde na safra 2026/27, impulsionada sobretudo pelo Brasil, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
O avanço da colheita no Hemisfério Norte, aliado ao ritmo intenso de semeadura no Brasil, tem sustentado a perspectiva de maior oferta no mercado internacional e nacional. O Cepea aponta que o Brasil deve responder por mais de 40% da oferta mundial, o que reforça a pressão sobre os preços.
Ao mesmo tempo, a pesquisa cita preocupações climáticas associadas ao fenômeno El Niño. No Sul do Brasil, relatos de excesso de chuvas despertaram especulações sobre migração de parte da área originalmente destinada à soja para o milho, o que tem levado parcela dos produtores a se retrair nas negociações no mercado spot.
Essa retração nas vendas à vista ajudou a limitar as quedas das cotações, segundo o levantamento do Cepea, que reúne as incertezas climáticas como fator relevante para a dinâmica recente dos preços.
Se confirmada em volume, a maior oferta projetada pode ter efeitos sobre margens de produtores e fluxos de escoamento; contudo, essa é uma inferência operacional que depende da efetiva colheita e das decisões de comercialização e não foi confirmada pelo levantamento.
Fonte: CompreRural