Representantes de 14 países de quatro continentes estiveram na Embrapa Cerrados na primeira semana de outubro para conhecer pesquisas e tecnologias que sustentam a transformação do Cerrado em uma área produtiva de grande relevância global. As visitas ocorreram nos dias 6 e 7 de outubro e integraram a agenda de dois grupos distintos: participantes do Nuffield Global Focus Programme e uma delegação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), organizada pela ApexBrasil.
Agenda e participantes
O grupo do Nuffield, programa internacional que realiza uma viagem de estudos de 45 dias por diferentes continentes, reúne agricultores, pesquisadores e profissionais do setor agropecuário de países como Reino Unido, Austrália, Zimbábue, Malaui, Holanda, Irlanda e Brasil. A delegação da CPLP incluiu representantes de agências de promoção de exportações e atração de investimentos de países-membros — seis originários da África, além de Portugal e do Brasil —, com Timor-Leste ausente nesta ocasião.
Tecnologias e temas visitados
Nas visitas, foram apresentadas iniciativas e soluções da Embrapa aplicadas ao Cerrado, entre elas a Integração Lavoura‑Pecuária‑Floresta (ILPF) e a Bioanálise de Solo (BioAS), além de trabalhos relacionados à recuperação de pastagens degradadas, sistemas integrados e cultivos nativos. Segundo pesquisadores, a agenda buscou mostrar como a pesquisa pública contribui para aumento de produtividade e sustentabilidade no bioma.
Safrinha e crescimento da produção
Embrapa Cerrados destacou o papel da segunda safra, a chamada safrinha, na produção nacional de milho: cerca de 80% da produção vem desse sistema, consequência de práticas e recomendações técnicas que viabilizam dois cultivos por ano em várias regiões. Em debates com visitantes, foi lembrado também o salto da produção agrícola brasileira, estimada em aproximadamente 60 milhões para 180 milhões de toneladas em 22 anos, como exemplo das mudanças ocorridas no país.
A ApexBrasil avaliou que a visita pode abrir espaço para parcerias e atração de investimentos conforme o interesse de cada país, enquanto representantes de delegações africanas e da CPLP destacaram interesse em tecnologias relacionadas à segurança alimentar, manejo de água e uso de dados para orientar investimentos agrícolas.