Esterco bovino tem cotação média de R$131,11/t na primeira semana de outubro de 2026 e é apontado como alternativa de adubação diante da forte alta nos preços dos fertilizantes.
Pressão dos fertilizantes
Segundo dados da Scot Consultoria, na segunda quinzena de setembro de 2026 o MAP (fosfato monoamônico) estava cotado em R$5.146,89/t, alta de 20,5% em relação ao mesmo período de 2025. O fertilizante 20-00-20 alcançou R$2.444,90/t (alta de 13,9%), o sulfato de amônio subiu 17,0%, para R$2.792,16/t, e a ureia teve aumento de 10,8%, para R$4.086,82/t.
Comparação de custos e nutrientes
Na cotação registrada, com o valor de uma tonelada de MAP seria possível adquirir 39,3 toneladas de esterco bovino. A cotação do esterco de confinamento variou entre R$80,00 e R$180,00/t, com média de R$131,11/t.
Com base em dados técnicos da Embrapa (Konzen, 1999), uma simulação para 10,0 t de esterco fresco de bovinos de corte (14–16% matéria seca) considera teores totais aproximados de 30,0 kg de N, 20,0 kg de P₂O₅ e 15,0 kg de K₂O. A comparação de custos para fornecer esses nutrientes, usando as cotações mencionadas, apresenta os seguintes exemplos (linhas de comparação distintas):
- Para 20,0 kg de P₂O₅ (equivalente ao fornecido pelos 10 t de esterco), seriam necessários 38,5 kg de MAP, com custo estimado de R$197,96.
- Para 30,0 kg de N via ureia (45% N) seriam necessários 66,7 kg do produto, custo estimado de R$272,45.
- Para 30,0 kg de N via sulfato de amônio seriam necessários 142,9 kg, custo estimado de R$398,88.
- O fertilizante 20-00-20 forneceria 15,0 kg de N e 15,0 kg de K₂O com 75,0 kg do produto, custo estimado de R$183,37.
Essas comparações são separadas (os custos das linhas não devem ser somados). Pela cotação média, adquirir 10,0 t de esterco custaria R$1.311,11, sem considerar frete e aplicação. A matéria-prima apresentada serve como apoio técnico e não substitui análises laboratoriais do material.
O aproveitamento efetivo do esterco depende da composição real do lote (variável segundo dieta e manejo), da necessidade da cultura e dos custos de transporte e aplicação. A pesquisa Benchmarking Confina Brasil 2025, citada pela Scot Consultoria, indica que a coleta e o aproveitamento dos dejetos são rotineiros nas propriedades visitadas, com coleta alcançando 100% em 11 estados; os menores índices registrados foram em Goiás (95,2%), Mato Grosso do Sul (92,0%), Paraná (88,9%) e Mato Grosso (84,6%).
Decisões sobre uso do esterco como parte da estratégia de adubação devem considerar análise do material, logística de frete e custos de aplicação para avaliar quanto da adubação mineral pode ser substituída na prática.
Fonte: CompreRural