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Imea: crescimento da avicultura de MT não substitui exportações de SC

Imea avalia que, apesar do avanço nas exportações de frango de Mato Grosso em 2026, o estado não tem escala nem capacidade operacional imediata para suprir integralmente os volumes exportados por Santa Catarina após restrições motivadas por foco de doença de Newcastle.
Ilustração sobre Imea: crescimento da avicultura de MT não substitui exportações de SC

Exportações de frango de Mato Grosso registraram avanço em 2026, mas não são suficientes para substituir integralmente os embarques de Santa Catarina, segundo análise do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O Imea compilou dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostrando que, no primeiro semestre de 2026, Mato Grosso produziu 224 mil toneladas de carne de aves e exportou 56 mil toneladas — o equivalente a cerca de 25% da produção estadual no período. Entre janeiro e setembro de 2026, o estado embarcou 90,12 mil toneladas de carne de frango, alta de 24,42% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Em comparação, Santa Catarina embarcou mais de 646 mil toneladas para o mercado externo. Desse total, 121 mil toneladas tinham como destino Chile, Hong Kong, China e México — mercados que adotaram restrições aos produtos avícolas catarinenses após a confirmação de um foco de doença de Newcastle.

Limitações para substituição imediata

Felipe Andrade, que acompanha leite, aves e suínos no Imea, afirmou que a diferença de escala entre os estados explica por que Mato Grosso não conseguiria absorver integralmente a demanda redirecionada de Santa Catarina no curto prazo. Para isso, seria necessário aumentar a parcela da produção destinada ao mercado externo — hoje em torno de 25% — além de contar com disponibilidade de produto e condições operacionais das agroindústrias.

O instituto também destacou que a ampliação de embarques depende da capacidade de processamento, da logística, dos contratos comerciais e das habilitações sanitárias exigidas pelos países importadores.

Destinos e restrições

Após a confirmação do foco em Santa Catarina, China, Chile e Arábia Saudita aplicaram limitações aos produtos provenientes do estado catarinense a partir de 21 de outubro de 2026. O México anunciou suspensão das importações de todos os produtos avícolas brasileiros; contudo, o impacto direto sobre Mato Grosso tende a ser menor: o país respondeu por 1,59% das exportações estaduais entre janeiro e setembro, com 1.437 toneladas embarcadas.

Nos nove primeiros meses de 2026, a Arábia Saudita foi o principal destino da carne de frango de Mato Grosso, com 27,34 mil toneladas; Hong Kong e China, considerados juntos, somaram 10,77 mil toneladas; e os Emirados Árabes Unidos receberam 10,37 mil toneladas.

Sanidade e vigilância

Marcos Carvalho, assessor técnico de Pecuária da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), ressaltou a importância da vigilância contínua para preservar a sanidade dos plantéis. O Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) informou que, em 2026, foram coletadas amostras em 84 granjas comerciais no estado, todas com resultado negativo para doença de Newcastle.

Em casos de mortalidade fora do padrão ou sinais respiratórios e neurológicos nas aves, as autoridades recomendam notificar imediatamente o serviço veterinário oficial para investigação.

Fonte: CompreRural

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