florestas plantadas no Brasil totalizaram 10,73 milhões de hectares em 2025, segundo o relatório da Expedição Silvicultura apresentado em transmissão ao vivo em 21 de outubro. O levantamento combinou mapeamento por satélite, validação em campo, inventário florestal e pesquisa com agentes da cadeia produtiva.
Levantamento, cobertura e validação
A equipe registrou extensão ampla: entre setembro e novembro de 2025 foram percorridos cerca de 42 mil quilômetros em 14 estados, com mais de 38 mil pontos de controle e 446 parcelas de inventário. O mapeamento identificou 8,30 milhões de hectares de eucalipto (77,4% do total), 1,89 milhão de hectares de pinus (17,6%) e 5% em outros cultivos e sistemas integrados.
Entre 2021 e 2025 a área mapeada cresceu 8,1%, com acréscimo líquido de aproximadamente 802 mil hectares. O avanço concentrou-se principalmente em Mato Grosso do Sul, que passou de 1,07 milhão para 1,80 milhão de hectares — alta de 722,7 mil hectares responsável por cerca de 90% do aumento líquido nacional. Minas Gerais manteve a liderança com 2,27 milhões de hectares.
O relatório também apresenta avaliação de qualidade do mapeamento: confronto de 37.762 pontos indicou aderência de 97,5% na distinção entre florestas plantadas e outros usos, e 96,5% quando considerado o grupo florestal.
Produtividade e inventário
O inventário combinado com modelagem estimou o incremento médio anual (IMA) nacional para eucalipto em 27,6 m³/ha/ano aos sete anos e para pinus em 24,4 m³/ha/ano aos 16 anos, com intervalos de confiança reportados pelos autores. As estimativas mostram variação regional: no eucalipto, Santa Catarina apresentou 42,3 m³/ha/ano, Paraná 39,4, Rio Grande do Sul 36,8 e São Paulo 32,5, enquanto Tocantins e Piauí registraram 18,7 e 16,0, respectivamente. Para pinus, os valores por estados incluíram São Paulo (26,0) e Paraná (24,8).
O processamento contou com LiDAR terrestre em 438 parcelas e, após controle de qualidade, gerou estimativas para 19.711 árvores em 374 parcelas de eucalipto e pinus. Os organizadores ressaltaram que os indicadores servem para recortes territoriais e não substituem inventários operacionais específicos.
Percepção do setor, clima e investimentos
A pesquisa com participantes da cadeia reuniu 73 registros analíticos, representando áreas declaradas somando 4,58 milhões de hectares. Entre os respondentes, 75% manifestaram intenção de implantar novas áreas nos próximos dois anos e 77% esperam aumento da demanda por madeira nos cinco anos seguintes. Contudo, 85% projetam custos de produção acima da inflação e apenas 41% antecipam maior rentabilidade; a pesquisa é voluntária e não probabilística, segundo os organizadores.
Pesquisas apresentadas na Expedição mostraram sinais de aquecimento: análises apontaram aumento próximo de 1 °C na média das máximas em Mato Grosso do Sul nas últimas décadas, o que, segundo estudos citados, poderia reduzir em média cerca de 4,5 m³/ha/ano o IMA do eucalipto nesse território. Os palestrantes destacaram a necessidade de considerar genética, manejo e resistência a estresse ao selecionar materiais.
A Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) complementou com indicadores econômicos: produção de celulose de 29,4 milhões de toneladas em 2025 (alta de 7% sobre 2024), receita bruta de R$ 249,4 bilhões, exportações de US$ 14,9 bilhões e carteira de investimentos de R$ 76,5 bilhões, incluindo projetos industriais citados em Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. O setor também estima 7,15 milhões de hectares conservados sob sua responsabilidade.
Os organizadores e especialistas concluíram que integrar informações sobre localização, idade dos plantios, produtividade, custos e clima é essencial para planejar o abastecimento e orientar políticas e assistência técnica. A transmissão foi organizada pela Canopy em parceria com a Embrapa Florestas e está disponível na gravação do canal Mais Floresta.