florestas plantadas no Brasil atingiram 10,73 milhões de hectares em 2025, segundo o relatório final da Expedição Silvicultura 2025. O levantamento, coordenado pela Canopy Remote Sensing Solutions em parceria com a Embrapa Florestas e a Paulo Cardoso Comunicações, indica crescimento líquido de 8,1% desde 2021.
Concentração regional do avanço
Entre 2021 e 2025 a área mapeada aumentou em cerca de 802 mil hectares. Mato Grosso do Sul foi responsável por aproximadamente 722,7 mil hectares desse acréscimo — o que equivale a cerca de 90% do crescimento líquido nacional — e elevou sua participação na base nacional para 16,7%, passando da quarta para a segunda posição entre os estados. Minas Gerais permaneceu na liderança, com 2,27 milhões de hectares.
Espécies e produtividade
O eucalipto respondeu pela maior parte do avanço, totalizando 8,30 milhões de hectares (77,4% do total em 2025). O pinus somou 1,89 milhão de hectares (17,6%), com recuo de 36,6 mil hectares no período. A Expedição estimou o incremento médio anual (IMA) em 27,6 m³/ha/ano para o eucalipto (referência: sete anos) e 24,4 m³/ha/ano para o pinus (referência: 16 anos).
As diferenças estaduais foram mais marcantes no eucalipto: Santa Catarina apresentou IMA estimado de 42,3 m³/ha/ano; Paraná, 39,4; Rio Grande do Sul, 36,8; e São Paulo, 32,5. Em contrapartida, Tocantins e Piauí registraram estimativas mais baixas, de 18,7 e 16,0 m³/ha/ano, respectivamente. No pinus, a variação regional foi menor, com São Paulo em 26,0 m³/ha/ano e Paraná em 24,8 m³/ha/ano.
Inventário e validação
O inventário de campo incluiu 446 parcelas em 204 municípios, distribuídas por 13 estados e cinco biomas. Foram usados dados de LiDAR terrestre em 438 parcelas; após controle de qualidade, as medições cobriram estimativas para 19.711 árvores em 374 parcelas de eucalipto e pinus. Para calibrar modelos de estimativa de volume, a Expedição combinou essas medições com inventários empresariais e dados geoespaciais. Os modelos explicaram 75,1% da variação de volume no eucalipto e 68,6% no pinus, com viés médio de -1,1% e -1,2%, respectivamente.
A validação do mapeamento por satélite usou 37.762 pontos de controle e apontou aderência de 97,5% na distinção entre florestas plantadas e outras coberturas; considerando também a classificação por grupo florestal, o índice foi de 96,5%.
Percepções do setor
Além do mapeamento e do inventário, a Expedição aplicou um questionário não probabilístico que reuniu 73 registros analíticos. Entre os respondentes, 75% declararam intenção de implantar novas áreas nos dois anos seguintes e 77% esperam aumento de demanda por madeira nos próximos cinco anos; contudo, 85% projetam crescimento dos custos de produção acima da inflação e apenas 41% esperam melhora na rentabilidade. A amostra é voluntária e recebeu peso igual para cada participante, por isso os percentuais descrevem o grupo consultado e não devem ser extrapolados para toda a população de produtores.
O relatório ressalta que entender a oferta futura exige avaliar não só a dimensão das áreas, mas também a distribuição etária das florestas, a produtividade regional e as condições econômicas que influenciam novos investimentos.