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ABCGIL defende avanço genético do Gir Leiteiro preservando rusticidade

O presidente da ABCGIL, Rodrigo Borges, afirma que o Gir Leiteiro deve aumentar produção com genômica e FIV, mas sem perder características de adaptação aos trópicos; Expogil bateu recordes em Uberaba.
Ilustração sobre ABCGIL defende avanço genético do Gir Leiteiro preservando rusticidade

Gir Leiteiro ganhou destaque na Expogil e na agenda da ABCGIL como raça que precisa evoluir em produção mantendo a rusticidade para os trópicos.

Em entrevista ao portal CompreRural durante a 26ª Exposição Nacional do Gir Leiteiro, realizada no Parque Fernando Costa em Uberaba (MG), Rodrigo Borges, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (gestão 2025–2028), defendeu uma seleção que combine produtividade, estrutura e preservação das características zebuínas. Borges, criador em Paracatu (Noroeste de Minas), afirmou que a associação não pretende transformar o Gir em um Holandês, e sim elevar a produção sem comprometer a resistência ao calor, os bons aprumos e a capacidade de deslocamento no pasto.

Resultados e ferramentas do melhoramento

Segundo a entidade, a 26ª Expogil reuniu mais de 500 animais e contou com 71 participantes no torneio leiteiro. Entre os resultados, destaque para a categoria fêmea jovem, que registrou produção média diária próxima a 64,4 quilos de leite — marca apresentada pela organização como recorde para o evento. Borges relacionou esses índices a décadas de seleção apoiada por pesquisa científica e programas de avaliação.

O programa de melhoramento nacional da ABCGIL, em parceria com a Embrapa, foi iniciado em 1985 e completou 41 anos em 2026. A utilização de ferramentas genômicas começou em 2014, com o primeiro sumário genômico divulgado em 2018. A base do programa reúne mais de 70 mil animais genotipados, e, conforme relatado pelo dirigente, cerca de 90% dos nascimentos anuais no âmbito do programa estão sendo genotipados.

Multiplicação da genética e acesso ao pequeno produtor

Borges explicou que a disseminação da genética das grandes matrizes se dá pela multiplicação de filhas, netas e bisnetas, além do uso crescente da fertilização in vitro (FIV). Segundo ele, uma doadora com bom desempenho reprodutivo pode gerar entre 20 e 30 filhas por ano dependendo das condições e do programa reprodutivo. Ainda assim, destacou que o touro continua determinante, respondendo por metade da composição genética dos descendentes, e que a oferta de embriões é mais limitada que a distribuição de sêmen.

O presidente ressaltou também a importância das exposições e das pistas para orientar escolhas de criadores: além da produção, são avaliados aprumos, estrutura corporal e força leiteira — atributos considerados essenciais para animais que precisam se deslocar em sistemas a pasto.

Fonte: CompreRural

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