Financiamento de fertilizantes está no centro de um pedido bilionário ao BNDES: 62 empresas da cadeia solicitaram R$ 2,9 bilhões pelo Plano Brasil Soberano 3 até 1º de outubro de 2026.
Do total requerido, R$ 1,7 bilhão foi aprovado em 65 operações — número que supera o de empresas porque uma mesma companhia pode ter mais de um financiamento — e R$ 200 milhões foram efetivamente desembolsados até a mesma data. Em valores arredondados, os desembolsos equivalem a aproximadamente 6,9% do montante solicitado e a 11,8% do valor aprovado.
Instrumentos e contexto
Os pedidos pelo Plano Brasil Soberano 3 são distintos das medidas previstas no Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), criado pela Lei nº 15.496, de 3 de setembro de 2026. O Profert prevê instrumentos para modernização, reativação e ampliação de unidades, além de apoio a pesquisa e infraestrutura, com objetivo declarado de reduzir a dependência externa e aumentar a oferta nacional.
Entre as regras previstas no Profert está uma participação mínima de fertilizante nacional, iniciando em 2% a partir de julho de 2027 e com meta de alcançar 10% até janeiro de 2037. Durante a tramitação foram mencionadas propostas de incentivos de até R$ 10 bilhões; o desenho fiscal aprovado pelo Congresso estabeleceu, segundo informe do Ministério do Planejamento, um limite de R$ 5 bilhões entre 2027 e 2031 — equivalente a cerca de R$ 1 bilhão por ano. Esses valores não representam desembolsos automáticos nem equivalem a descontos garantidos ao produtor.
O que muda para o produtor
Segundo a apuração, a pressão sobre o mercado de fertilizantes vai além do preço: a capacidade financeira dos fornecedores interfere na aquisição de matérias-primas, manutenção de estoques e nas condições de comercialização. Em propriedade rural, dificuldades na cadeia podem se manifestar como:
- condições de pagamento mais restritas;
- maior necessidade de planejamento para entregas próximas ao plantio;
- variação na disponibilidade de produtos conforme estoques e fornecedores;
- pressão sobre margens caso custos de adubação aumentem mais que a receita da lavoura.
O Ministério da Agricultura já afirmou que o risco de desabastecimento de fertilizantes está afastado, segundo registro da fonte. A diferença entre pedidos, aprovações e desembolsos também pode refletir etapas administrativas e requisitos contratuais: uma operação aprovada depende de contratação, garantias e cumprimento de condições para liberação.
Fonte: CompreRural