inoculantes bacterianos no trigo reduziram em cerca de 60% a severidade de doenças causadas pelo fungo Bipolaris sorokiniana em experimentos conduzidos pela Embrapa Meio Ambiente (SP) e pela Universidade de São Paulo (USP), segundo estudo publicado na revista npj Biofilms and Microbiomes.
O que foi testado
Os pesquisadores avaliaram três bactérias com potencial de biocontrole e promoção de crescimento: Streptomyces virginiae (CMAA1738), Paenibacillus ottowii (CMAA1739) e Pseudomonas inefficax (CMAA1741). Os testes foram realizados em condições controladas com a cultivar BRS Guamirim, usando solo agrícola coletado em Assis (SP).
Resultados e mecanismo observado
Em plantas inoculadas com as bactérias, a severidade da doença causada por B. sorokiniana foi reduzida em aproximadamente 60% em comparação com plantas expostas apenas ao fungo. Em alguns tratamentos a redução dos sintomas ocorreu mesmo quando a população do fungo no solo permaneceu estável ou aumentou, o que indica que o controle não exigiu necessariamente a eliminação do patógeno.
Os autores relatam que o efeito decorre da reorganização da comunidade microbiana da rizosfera: os inoculantes remodelaram o microbioma ao redor das raízes e restauraram funções ecológicas do solo, fortalecendo mecanismos naturais de resistência das plantas. Entre as bactérias testadas, Pseudomonas inefficax destacou-se por aumentar a disponibilidade de fósforo e promover maior desenvolvimento do sistema radicular, além de provocar ampla reestruturação do microbioma mesmo representando uma pequena fração dos microrganismos detectados.
Métodos usados
A equipe utilizou sequenciamento metataxonômico para identificar microrganismos, análise metagenômica para investigar genes e funções do microbioma, qPCR para quantificar o fungo e ferramentas de bioinformática para avaliar genes relacionados ao crescimento e à proteção das plantas.
Pesquisadores envolvidos incluem Caroline Nishisaka e Thierry Pellegrinetti (Cena-USP), Hélio Quevedo (bolsista da Embrapa Meio Ambiente) e Rodrigo Mendes (coordenador do estudo, Embrapa Meio Ambiente), entre outros. O artigo é assinado pelos membros da equipe e divulgado em revista do grupo Nature.
Os autores afirmam que a abordagem — focada em manejar a comunidade microbiana da rizosfera — pode contribuir para o desenvolvimento de inoculantes biológicos mais eficientes e, potencialmente, reduzir a dependência de fungicidas químicos. O estudo foi realizado em ambiente controlado; a matéria não traz resultados de validação em campo ou informações sobre comercialização.
Fonte: CompreRural