lucratividade confinamento Sudeste avançou 5,5% no terceiro trimestre de 2026, para R$ 1.173,27 por cabeça, segundo a análise trimestral do ICAP (Índice de Custo Alimentar Ponta) divulgada pela Ponta Agro.
Divergência entre Sudeste e Centro-Oeste
No mesmo período, o Centro-Oeste registrou queda de 3,5% na lucratividade média por animal, para R$ 1.009,41, ampliando a diferença média para R$ 163,86 por cabeça entre julho e setembro. Em setembro, a vantagem do Sudeste chegou a R$ 303,46 por animal.
A melhora no Sudeste ocorreu apesar da redução dos custos de alimentação: o custo médio da dieta de terminação caiu 6,5% na região enquanto no Centro-Oeste houve recuo de 6,7% frente ao segundo trimestre. A diferença veio principalmente do comportamento do preço do boi gordo.
No Sudeste, a arroba valorizou 1,5% na média do trimestre, ficando em R$ 347, e alcançou R$ 356 em setembro — maior cotação histórica do indicador para a região. A combinação de arroba mais alta e custo alimentar menor elevou a lucratividade associada às arrobas produzidas de R$ 1.112,05 no segundo trimestre para R$ 1.173,27 no terceiro.
O custo médio da alimentação no Sudeste ficou em R$ 11,53 por cabeça ao dia entre julho e setembro, queda de 3,6% ante o trimestre anterior e de 7,5% contra o mesmo período de 2025. O custo da dieta por tonelada de matéria seca recuou de R$ 1.067,19 em julho para R$ 1.034,08 em setembro, o sétimo mês seguido de queda.
Centro-Oeste sob pressão de preços
No Centro-Oeste, embora os custos alimentares também tenham caído, a arroba média do trimestre caiu para R$ 327,17 (queda de 3,1%), e a lucratividade média por cabeça recuou para R$ 1.009,41. Na evolução mensal, o indicador caiu de R$ 1.138,30 em julho para R$ 906,75 em setembro.
Entre julho e setembro a dieta de terminação teve custo médio de R$ 1.076,09 por tonelada de matéria seca no Centro-Oeste, ante R$ 1.153,07 no trimestre anterior. O consumo médio de matéria seca aumentou na região, de 9,40 kg para 9,92 kg por animal ao dia.
A Ponta Agro chama atenção para fatores a acompanhar no quarto trimestre: comportamento do milho, disponibilidade de volumosos (como bagaço de cana) e custo de reposição dos bovinos, que podem alterar a margem do confinamento mesmo com ingredientes mais baratos.
Em setembro, a relação entre o preço da arroba e o custo diário da alimentação também destacou a vantagem do Sudeste: uma arroba financiou 30,77 dias de alimentação na região, frente a 26,30 dias no Centro-Oeste.
Fonte: BeefPoint