mulheres no agro: nove pesquisadoras da Embrapa foram incluídas pela revista Forbes na lista das 100 mulheres mais poderosas do agronegócio em 2026, publicação divulgada em 15 de outubro, data marcada pelo Dia Internacional da Mulher Rural.
Quem foram reconhecidas
As profissionais da Embrapa listadas pela Forbes são Silvia Massruhá (presidente da Embrapa) e as pesquisadoras Mariangela Hungria, Mariana Aragão, Roberta Carnevalli, Nair Arriel, Cristina Arzabe, Débora Milori, Simone Favaro e Iêda Mendes. A seleção da Forbes valoriza capacidade de decisão, influência e impacto no agronegócio, considerando também tecnologias adotadas em larga escala.
Destaques das pesquisas e tecnologias
- Débora Milori (Embrapa Instrumentação, SP): desenvolve métodos e sensores ópticos para análise de solos e plantas; um sistema a laser para medir carbono, nutrientes e contaminantes no solo foi licenciado a uma empresa que hoje presta serviços de análise de solos.
- Iêda Mendes (Embrapa Cerrados, DF): liderou os estudos que geraram a BioAS (Bioanálise de Solos), lançada em 2020, e participou do desenvolvimento da Plataforma Saúde do Solo BR, lançada em 2025, ferramentas que complementam análises de fertilidade e apoiam manejo sustentável.
- Simone Favaro (Embrapa Agroenergia, DF): contribui para o desenvolvimento da cadeia produtiva da macaúba, integrando redes de pesquisa e o diálogo com comunidades e agricultores familiares.
- Roberta Carnevalli (Embrapa Soja, PR): chefe de P&D da unidade, atua em prioridades de pesquisa, sistemas integrados e participa do Comitê Gestor do Programa Soja Baixo Carbono desde 2020.
- Mariangela Hungria (Embrapa Soja, PR): desenvolveu tecnologias de inoculação que, segundo dados da Embrapa, são adotadas em cerca de 85% da área de soja no Brasil, com coinoculação em aproximadamente 35%; suas tecnologias contribuíram, em 2025, para uma economia estimada em US$ 25 bilhões e para evitar a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.
- Cristina Arzabe: participou da criação do Observatório das Mulheres Rurais do Brasil, iniciativa que organiza e disponibiliza dados sobre a participação feminina no campo, com informações do Censo Agropecuário e parcerias com IBGE e FAO.
- Mariana Aragão: chefe-geral da Embrapa Gado de Corte (MS) e a primeira mulher a ocupar esse cargo na unidade, com atuação em gestão e economia rural.
A publicação da Forbes, em sua segunda edição dedicada ao tema (a primeira foi em 2021), adota definição ampla de poder feminino no agro, incluindo pesquisadoras cujas tecnologias têm impacto substancial mesmo sem ocuparem cargos executivos.
Dados institucionais e reflexos
Segundo a Embrapa, a empresa tem 8.010 empregados, dos quais 2.659 são mulheres (33,2% do quadro). Entre elas, 826 atuam como pesquisadoras em diversas áreas do conhecimento. A presença das nove profissionais na lista foi destacada pela presidente Silvia Massruhá como reconhecimento coletivo ao trabalho científico público e à contribuição das mulheres na pesquisa, gestão e espaços de decisão.
Alguns dos exemplos citados pela Embrapa — como a ampla adoção de tecnologias de inoculação na soja e a difusão de ferramentas para avaliação da saúde do solo — têm impactos apontados pela própria empresa em termos econômicos e de redução de emissões. Esses efeitos, conforme os dados apresentados pela Embrapa Soja, ilustram a escala e a relevância das inovações desenvolvidas por pesquisadoras reconhecidas na lista.