Plantio Direto foi celebrado pela Embrapa Solos em reunião técnica realizada em 21 de outubro, com apresentação de resultados do projeto SPD Agro+ que mediu estoques de carbono e serviços do solo em 63 propriedades distribuídas no Cerrado, na Mata Atlântica e em área de transição para a Amazônia.
Metodologia e principais resultados
O projeto SPD Agro+, aprovado em agosto de 2020 no âmbito de edital do Fundo Clima, teve o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) como órgão proponente e a equipe da Embrapa, junto a instituições parceiras, responsável pela execução científica e pelas etapas de campo e laboratório ao longo dos últimos cinco anos. A pesquisa comparou em microrregiões equivalentes três usos do solo: vegetação nativa, preparo convencional e Sistema Plantio Direto (SPD).
A amostragem incluiu 3.402 amostras deformadas e 3.402 não deformadas, coletadas em seis camadas até 100 cm de profundidade. Os dados mostraram que a conversão para manejo com revolvimento convencional causa perdas acumuladas de carbono entre 38,1% e 45,8% em relação à vegetação original. Em contraste, áreas sob plantio direto apresentaram recuperação do carbono ao longo do perfil, alcançando ou superando o estoque da mata nativa em sete dos 13 agrupamentos hidroclimáticos avaliados.
Os modelos estatísticos aplicados indicaram uma taxa média de sequestro de carbono de 1,74 tonelada de carbono por hectare por ano sob manejo contínuo de plantio direto. Entre os benefícios observados estão também aumento da capacidade de armazenamento de água no solo em até 200 mm frente a áreas degradadas.
Escala e potencial
Segundo a apresentação, o país tem 45,8 milhões de hectares sob plantio direto, mas apenas 6,4 milhões de hectares (14%) cumprem integralmente os três pilares do sistema: ausência de revolvimento, cobertura permanente da superfície e diversificação de culturas. A projeção do estudo aponta potencial de mitigação de 300,7 teragramas de CO2 equivalente caso práticas consolidadas do SPD sejam ampliadas em áreas de cultivo anual, o que corresponderia a 13,8% das emissões brasileiras de 2024 e quase 48,4% da pegada do setor agrícola naquele ano. O aporte econômico estimado para produtores ficou entre 3 e 9 bilhões de dólares.
Na reunião técnica, o pesquisador Juca Sá, que participou do primeiro experimento com plantio direto no Brasil em Ponta Grossa (PR) em 1972, apresentou os resultados e destacou a importância da quantidade, qualidade e frequência da biomassa na dinâmica de sequestro de carbono. Encerrando a atividade, Leonel Machado Lima, da Associação dos Engenheiros-Agrônomos do Estado do Rio de Janeiro (AEARJ), falou sobre ações do Programa por uma Agricultura Regenerativa e parcerias regionais para capacitação.