preço do boi gordo segue sustentado por oferta restrita, com registros pontuais de negócios a R$ 400 por arroba na região de Franca (SP), segundo levantamento divulgado por consultorias do setor.
Relatórios da Safras & Mercado indicam que as operações a R$ 400 foram pontuais e não representam a totalidade das negociações em São Paulo. A formação de preço varia conforme localização do lote, características dos animais, necessidade de compra da unidade e condições comerciais acordadas entre frigorífico e produtor.
Escalas apertadas e referências de mercado
Uma das bases da sustentação dos preços é a menor disponibilidade de animais prontos para abate. As consultorias relataram escalas concentradas entre cinco e seis dias úteis em várias regiões, o que dificulta a recomposição rápida das programações industriais e mantém frigoríficos atentos às compras.
O levantamento da Safras & Mercado na modalidade a prazo, com referência de 23 de outubro, apresentou os seguintes valores:
- São Paulo — capital: R$ 386,25 (+0,6%)
- Goiás — Goiânia: R$ 371,25 (+0,7%)
- Minas Gerais — Uberaba: R$ 380,29 (+1,7%)
- Mato Grosso do Sul — Dourados: R$ 380,45 (+2,1%)
- Mato Grosso — Cuiabá: R$ 360,81 (+2,3%)
- Rondônia — Vilhena: R$ 363,15 (+0,83%)
A Scot Consultoria também registrou cotações distintas no estado, com o boi gordo sem padrão de exportação cotado a R$ 380/@ e o chamado boi-China a R$ 385/@, em levantamentos específicos.
Atacado e demanda externa
Enquanto a oferta enxuta pressiona a arroba para cima, o atacado apresenta limitações para repasses. A Safras & Mercado indicou preços no atacado no fechamento da semana em:
- Quarto traseiro: R$ 29,50/kg
- Quarto dianteiro: R$ 22,30/kg (alta de 1,36% em relação a R$ 22,00)
- Ponta de agulha: R$ 21,00/kg
Concorrência de proteínas mais baratas, como a carne de frango, e consumo doméstico mais fraco na segunda quinzena do mês reduziram o espaço para repasses integrais dos aumentos no preço da matéria-prima.
As consultorias também mantêm atenção à demanda externa: compras mais consistentes da China no último trimestre são apontadas como fator que, se confirmadas em volume, podem aumentar a competição pelas boiadas e pressionar novas altas — ressalvando que esse efeito depende da efetividade dos pedidos e da necessidade de reposição dos frigoríficos exportadores.
O que acompanhar na semana
Para a semana que começou em 26 de outubro de 2026, as consultorias destacaram que a postura das indústrias ao recompor escalas será o principal sinal do mercado. Frigoríficos com menor cobertura de programações tendem a apresentar maior disposição para compra; unidades com escalas mais confortáveis podem testar preços menores. Produtores devem considerar não apenas o valor nominal da arroba, mas também prazo de pagamento, frete e condições comerciais ao negociar.
Fonte: CompreRural