salários no agronegócio: o Guia Salarial 2027, divulgado pela consultoria Michael Page em 20 de outubro de 2026, indica que 56% das empresas do setor não pretendem conceder aumentos de remuneração além dos percentuais previstos em acordos ou obrigações legais.
O levantamento, realizado pela Michael Page em São Paulo, ouviu 5.762 profissionais e 1.955 empresas de diferentes setores. Além da restrição a reajustes salariais, 55% dos empregadores do agronegócio apontaram a otimização de estruturas e equipes como prioridade para 2027, segundo o relatório.
Remunerações e faixas para cargos gerenciais
A pesquisa traz tetos salariais observados em companhias de grande porte para funções de gestão: gerente agrícola corporativo com remuneração mensal de até R$ 60.000; gerente industrial, até R$ 58.000; gerentes agrícola e de qualidade, até R$ 55.000; gerente de manutenção e de pesquisa e desenvolvimento, até R$ 50.000; gerente de melhoria contínua, até R$ 45.000; gerentes de produção e de fazenda, até R$ 42.000; e gerente de saúde, segurança e meio ambiente (SSMA), até R$ 40.000. A consultoria esclarece que esses valores correspondem aos tetos das faixas mapeadas para grandes empresas, não à média salarial.
Liderança, carreira e mudanças nas políticas de RH
O estudo também mostra que a relação com o gestor pesa nas decisões de carreira: 94% dos profissionais do agro afirmam que a liderança influencia suas escolhas, enquanto 64% declararam que considerariam deixar o emprego por causa de uma liderança desmotivadora. A falta de perspectiva de crescimento foi mencionada por 73% dos entrevistados do setor.
Em contrapartida, apenas 2% das empresas apontam a liderança inspiracional como principal ferramenta de retenção; a cultura organizacional é citada por 29% dos empregadores e salários acima da média por 18%. A Michael Page registra, ainda, que 17% das empresas acreditam que a liderança ganhará maior relevância nos próximos 12 meses, enquanto 19% citam desenvolvimento profissional e 20% mencionam remuneração.
Tecnologia e competências
Adoção de ferramentas digitais também aparece na pesquisa: 95% dos profissionais veem benefícios no uso de inteligência artificial, mas apenas 15% das empresas oferecem acesso amplo às ferramentas e 9% consideram o conhecimento em IA um requisito importante em contratações. Além disso, 60% dos profissionais entendem que o domínio da IA deveria levar a diferenciação salarial.
Segundo a Michael Page, a combinação entre restrições orçamentárias e mudança nas expectativas dos trabalhadores leva empresas a revisar estratégias de contratação, com maior demanda por gestores capazes de integrar decisões técnicas e econômicas.
Fonte: BeefPoint