A tarifa de 55% aplicada pela China sobre embarques australianos que excederam a cota anual tem levado frigoríficos a suspender dias de abate por falta de espaço para estocar carne congelada, segundo reportagem do Beef Central e adaptada pelo BeefPoint.
Capacidade de armazenamento e paralisações
Desde junho de 2026, os embarques acima da cota chinesa anual — estimada em cerca de 205 mil toneladas — estão sujeitos à tarifa adicional de 55%. Em reação à redução de vendas para a China, armazéns frigorificados próximos a portos como Brisbane e Melbourne reportaram ocupação elevada. Fontes ouvidas pela reportagem indicaram que pelo menos dois, possivelmente três, frigoríficos exportadores interromperam operações em determinados dias devido à falta de câmaras frigoríficas internas e externas para manter a carne produzida.
A reportagem afirma que grandes depósitos refrigerados em Brisbane, incluindo instalações operadas por empresas como a Americold, estão quase totalmente ocupados por produtos congelados. Um dado não confirmado recebido pela publicação apontou que uma unidade poderia ter entre 2.000 e 2.500 cabeças atrasadas no cronograma de abates, mas essa estimativa não foi verificada pela equipe de reportagem.
Logística marítima e estoques em trânsito
Para reduzir a pressão sobre depósitos locais e postergar desembarques até a abertura de nova cota em 2027, exportadores adotaram rotas marítimas incomuns. Navios carregaram carne em Brisbane com destino ao Panamá antes de seguir para a China, e cargas saíram de Melbourne com destino a Roterdã para posterior retorno ao mercado asiático. A estratégia prolonga o tempo de trânsito — transformando embarcações em armazéns frigoríficos flutuantes — e gera custos adicionais, além de reduzir a disponibilidade de contêineres refrigerados.
Segmento Wagyu e custos de manutenção
O segmento Wagyu tem sido um dos mais afetados, em parte porque programas típicos de confinamento duram entre 380 e 400 dias. Muitos animais estavam em ciclos de engorda quando a tarifa foi anunciada, o que dificulta ajustar a produção no curto prazo. Fornecedores de Wagyu e operadores menores enfrentam dificuldades financeiras para sustentar estoques congelados por períodos prolongados; segundo fontes, a divisão dos custos de armazenamento é negociada entre vendedor e comprador, e alguns vendedores passaram a exigir sinal de 50% ou pagamento integral antecipado.
Apesar de obras de novas instalações frigoríficas em regiões próximas ao porto de Brisbane estarem em andamento, essas estruturas não devem oferecer alívio imediato em 2026. Fontes consultadas indicam que a abertura de uma nova cota no início de 2027 pode reduzir a pressão sobre estoques, mas há preocupação de que o novo limite seja rapidamente preenchido, mantendo a volatilidade para o comércio de carne direcionado à China.
Fonte: BeefPoint